terça-feira, 12 de julho de 2011

Filhos de Ninguém





'História duma criança pobre
Que vive com a mãe
E teve por pai um prisioneiro
E por padrinho um carcereiro
Que lhe chamou Liberdade'

Filhos da terra e de ninguém,
Abandonados por quem
Os ama, os quer, os tem…

Tu, filho da terra.
Tu, gerado
Das lavas de um vulcão ébrio,
Ficaste abandonado
Sem nome, sem fado!

Tédio!
Tédio para os homens sem remédio!

E foi o padre, deixai-me pasmar,
O padre da aldeia que a foi baptizar

Filhos da terra e de ninguém,
Prisioneiros revoltos
Dos cárceres soltos do além…
Tu, carcereiro odiado,
Tu, filho de ninguém,
Foste o padrinho
Do rebento abandonado
Que vive com a mãe!

A alma tua
E a tua desventura
São a esperança de felicidade
Para essa criança
Que vai sentir piedade
De gente malvada…
E tu, filho do nada,
Filho da ternura,
Apenas lhe chamaste
Liberdade!

Ó prisioneiro do além.
Que busca essa verdade
Nas celas e nas lutas,
Prisioneiro por caridade
Que foge das garras de tigres famintos
Das savanas corruptas!

O filho és tu,
Seu ser a liberdade
E tu, pai, o teu prisioneiro!

“… e o preso viu fugir-lhe a Liberdade
Nos braços da mulher do carcereiro!”

José Sepúlveda 
(Arca de Quimeras)



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Mimetismo


O seu cabelo era loiro 
Como o cabelo de oiro 
Dum milheiral em flor 


O seu rosto era rosado 
Dum rosa que aposto 
Era o da rosa mais formosa, 
A mais linda do prado 


A sua boca era rubra 
Dum rubro tão doce 
Como o da papoila mais rubra 
De onde quer que fosse 


E não há quem descubra 
De onde era ela 
E não há quem nos diga 
Que a rapariga 
Não fosse bela... 


Mas quando um dia se casou, 
Tudo mudou! 


O loiro cabelo 
Outrora brilhante 
Tornava-se escuro, 
Impuro, aberrante! 


O rosto, 
A face bela, 
Tão cheia de gosto, 
Ficava amarela! 


A boca tão rara 
E tão cheia de amor 
Ficava clara 
Sem cor, 
Sem calor 
E toda a alegria, 
A força e energia, 
Da moça fugia 
Ao vir o amor! 


Tristeza! 
Onde está sua beleza? 


Foi quando casou 
Que a bela mulher 
Voltou a nascer 
Velha, velha! 


Caprichos da natureza!


José Sepúlveda 
(Arca de Quimeras)
 

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quinta-feira, 28 de abril de 2011

Primavera

Poema ao Mar

Sinto à distância
A fragância do mar
Ondas, gemidos,
Perdidos no ar
Jovens, poetas,
Vilões a sonhar
Lá no mar,
Lá no mar,
Lá no mar

Dois namorados
Carinhos, dulçor,
Trocam recados,
Promessas de amor
Voam gaivotas,
Trinados sem fim,
A cantar,
A cantar
Para mim