segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Solidão





Que sonhos de ventura, que tristeza,
Que denso nevoeiro vagabundo
Que a fome de ternura torna imundo
E a dor que me consome assim despreza.

A turba soa além, no fim do mundo,
Gemendo melodias com frieza,
A gente já não sente e é com certeza
Alheia à pobre dor dum moribundo.

Cantai, águas do rio, águas do Tejo,
Cantai num só clamor que se praguejo
Não é por vos querer mal, é por não querer

A dor que vive em mim da qual não vejo
Chegar o fim, cantai que o realejo
Que ouvis sem harmonia é meu sofrer!





José Sepulveda

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

No teu Jardim






Um dia, passeando em teu jardim,
Eu mergulhei, amor, num sonho lindo…
Olhei-te quando olhavas para mim
E, ao ver o teu olhar, olhei, sorrindo…

E, nesse enleio que não via o fim,
Meu coração ficou feliz, sentindo
Que o nosso amor crescia. Agora, sim,
Podíamos viver um sonho infindo…

Que bom sentir-te dentro do meu peito
Neste caminho puro, são, perfeito,
E ver-te junto a mim, sempre, presente…

E peço a Deus, em canto de louvor,
Que venha abençoar o nosso amor
E possa ter-te sempre, eternamente!



José Sepúlveda


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Natal

Google Images


Vejam bem o desatino
Destes ilustres mortais
Deixar nascer o Menino
Num casebre de animais

Que frio, como está frio
Na choupana do Menino
Que se aquece co’o bafio
Da vaquinha e do burrinho

Vamos numa correria
Levar-lhe com emoção
O calor e a alegria
Que nos vai no coração

Neste dia de harmonia
E de paz universal
Façamos de cada dia
Mais um dia de Natal


José Sepúlveda


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Tempo





Momento a momento,
Sem ter p’ra onde ir,
Perdi-me no tempo…
E o tempo a fugir!

Voou como o vento
Num tempo impreciso,
Nas vagas do tempo
Perdi meu sorriso

E um triste lamento
No céu ecoou,
Perdi-me no tempo
Meu tempo esgotou



José Sepúlveda



sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Sessenta Rosas





Parabéns, Amy Dine



Sessenta rosas, doces primaveras
Vividas desde o tempo de menina
São rosas simples, sonhos e quimeras
Que vão passando. Vida peregrina!

Sessenta beijos numa eterna espera
De ser feliz. A vida nos ensina
Que o mundo gira, gira nesta esfera
De sonhos, de ventura em cada esquina

Sessenta abraços, gritos de meu peito,
Que busca em teu olhar puro, perfeito,
O amor e o carinho que há em ti

São rosas que me trazem a alegria
Por ter-te como minha companhia
Sentindo, amor, que a vida nos sorri!



José Sepúlveda


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Bruçó




Aquela aldeia oculta entre as montanhas
Que fica para além do Mogadouro
Preserva coisas lindas e façanhas
Que são p’ra nós autêntico tesouro.


Tentando penetrar suas entranhas
Buscando histórias, coroas de louro,
Nós encontramos coisas tão estranhas
Que na diferença são pepitas de ouro.


Bruçó, aldeia antiga, nobre gente,
Na sua intimidade diferente
E genuína em forma e em saber.


Com coisas simples conta sua história
De gente sà, perene em sua glória,
Tão cheia de alegria de viver!


José Sepúlveda

Poesia Bruçó



sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Junto ao Mar






Olhava aquele espelho à minha frente;
E ali sentado, inerte, eu via a água
Batendo, rebatendo numa frágua
E as gotas se espargindo, suavemente…

E enquanto caminhava ali, silente,
Eu partilhava aquele gozo ou mágoa…
E toda essa magia, agora trago-a
Gravada no meu peito, ternamente…

Depois, sentei-me ouvindo a melopeia
Das ondas e as gaivotas pela areia
Naquela sinfonia de encantar…

E, ali fiquei por tempos infinitos
Perdido entre a magia desses gritos,
Ouvindo os sons aflitos do meu mar…



José Sepúlveda



quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Gosto


Quando respiro os teus poemas
Sinto neles a da tua sensualidade,
A sensibilidade dos teus gestos,
A ternura dessas mãos de veludo
Que me afagam ternamente
Os sentimentos de alma
E do espaço
Que num abraço
Me dão tudo…

Gosto do carinho dos teus versos,
Da poesia que emana do teu coração,
Da candura sedutora desse olhar,
Penetrante,
Profundo,
Quando se infiltra assaz
Nestes meus olhos
Fugindo do mundo...

Gosto do plácido perfume do teu corpo,
Da macieza angélica dos teus cabelos,
Imagem rara de beleza e alegria,
Quando os afago com ternura,
E o meu corpo se extasia
De loucura…

Gosto do rubro dos teus lábios doces,
Quando os afago suavemente,
Mesmo se tento ousar beijá-los
Num repente...

Gosto da ternura dos teus gestos,
Do aconchego do teu peito
E me deleito
A olhar-te
Em estertor…

Gosto desse rosto de menina,
Princesa do Lima,
Meu amor…

Gosto porque gosto,
Gosto porque te amo
Gosto, Amor!...


José Sepúlveda



terça-feira, 4 de outubro de 2011

Fénix



Perdi-me nos teus olhos…  E o destino
Teus olhos me levou p’ra o fim do mundo
E vagueei na terra, peregrino,
Como se fora um pobre vagabundo

E todos os meus sonhos de menino
Se dissiparam nesse vale profundo.
Fiquei á vaguear só e sem tino
Buscando a luz num túnel sem ter fundo

E, quando em desespero, sem esp’rança,
Quis pôr um fim a esta má lembrança,
Lançando ao esquecimento toda a dor,

Das cinzas ressurgia nova vida,
Contigo… Tu voltaste, linda amiga,
Trazendo nova força ao nosso amor!



José Sepúlveda



Os teus poemas






Ao ler os teus poemas, num instante
Eu sinto o coração a saltitar…
Descubro neles uma vida erante
Partindo à descoberta de outro mar

E nesse trilho agreste, cativante,
Tão cheio de volúpia, de prazer,
Não ouso descobrir a eterna amante
Mas antes o fascínio de escrever

E quando a tua mente me desperta
Com pena sensual, mais liberta,
O coração exusta de alegria

Por isso, aqui, à laia de homenagem,
Te peço: mantém sempre essa coragem
E deixa-te esvair em poesia!



José Sepúlveda



segunda-feira, 3 de outubro de 2011

São Rosas


Olhava para mim apaixonada
E passeava à volta, em meu jardim,
Tentava desvendar o o que encontrava
Nas coisas que guardava para mim

E enquanto em meus segredos mergulhava
Tentando descobrir coisas assim,
Num tom apreensivo, perguntava:
- Que levas no regaço, querubim?

E nesse turbilhão de pensamentos,
Tentando controlar os sentimentos
Que possam dar tormentos, trazer dor,

Tentando aliviar a sofridão,
Abri de par em par o coração,
Mostrando-lhe: - São rosas, meu amor!






José Sepúlveda

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Súplica



Aquele coração humilde e bom
Que minha mãe me deu, quando nasci,
Não tem qualquer valor, perdeu o dom
De perdoar, fui eu quem o perdi

Aquele tão singelo coração
Que aos mais humildes consolar eu vi
Já não consegue dar consolação
Àqueles a quem vida prometi

Senhor, vem dar-lhe força, dar-lhe paz,
Bem sabes, por si só não é capaz
De perdoar a quem o faz sofrer...

O orgulho e a vaidade vem limpar
Para que a quem me ofende eu possa dar
A paz e a alegria de viver!



José Sepúlveda



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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Princesa







Princesa, que do alto do Castelo
Me acenas com teu lenço de cetim,
Vem dar-me o teu sorriso doce e belo
E os teus lábios, tudo para mim

Se afago os teus cabelos, quanto anelo
Eu sinto no meu peito em frenesim
Mergulho nos teus olhos, num apelo
De intenso amor, por te querer assim

Ao ver o teu olhar a todo o instante,
Eu deixo de ser eu. Sou teu amante
Que busca o teu abraço, na certeza

Que deste meu palácio de ilusão
Resgatarei enfim teu coração
E tu serás meu grande amor, princesa


José Sepúlveda


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Ser poeta



•.•.•.•.•.+*♥○♥*+.•.•.•.•.•


Que a minha vida se estende
Para além da poesia,
Já toda a gente o entende
Ao falar-me dia-a-dia


E, se as vezes se pretende
Ir alem da fantasia,
Com isso nada se aprende
E nos provoca ironia


Não me chamem escritor,
Nem poeta, por favor,
Não façam de mim otário


Coisas dessas, não senhor,
Quando muito professor
Do ensino universitário!


José Sepúlveda

Poesia Ser Poeta

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Pétalas Vermelhas





As rosas, lindas rosas, meu amor
São pétalas vermelhas que espalhei
Na tua cama, em tudo ao teu redor
Co’as rosas mais formosas que encontrei

Inala pois o seu intenso olor,
Descobre nelas tudo o que eu não sei
Dizer-te por palavras, o fervor
Com que te amo e sempre te amarei

E um dia, ao recordares este dia
Envolta nessas rosas, que a alegria
Eu possa ver brilhar no teu olhar

Que eu sei que as rubras pétalas dirão
Como é feliz e grato o coração
Que envolto nessas rosas te vou dar

José Sepúlveda


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Um Mar de Poemas




Como um corcel, cavalga pela praia
Em ondas de prazer e alegria
Ele, saltita, solta-se, desmaia
E dá-lhe um longo abraço… e a acaricia

E espalha os seus segredos pela areia
Beijando-a… Como brincam à porfia
Em mananciais de afectos! E se enleia
Num rodopio, pleno de magia

Ouvi bramar seu forte pensamento
E vê-de que chegado esse momento,
Com sentimento, entrega com fervor

Um mar de poemas, puro, terno, infindo,
Tão cheio de candura, lindo, lindo,
Em suaves melodias…, doce amor!



José Sepúlveda



terça-feira, 2 de agosto de 2011

Anseio II

ANSEIO

Eu quero ouvir os sons, essa harmonia
Que um dia com seus versos te cantou,
Eu quero ouvir o tom e a melodia
Cantados quando a vida te entregou!

Ó areais sem fim, que dor sentia
Quando, abraçada a vós, se confessou!
Falai-me, por favor, da nostalgia
Que nesse dia a dor lhe outorgou!

Eu quero acreditar: Toda a tristeza
São laivos de amargor e de incerteza
Que quand a ti trouxer em seu clamor

Tu vais, ó mar, findar essa agonia
E vai raiar por fim um novo dia
Em que ela encontrará seu grande amor!