quarta-feira, 10 de julho de 2013

Sonho Lindo


Sonho Lindo

Esta noite sonhei contigo…
E no momento doce do teu beijo,
Penetrei numa fonte mágica
De desejo
E te senti…

E vimo-nos abraçados
Entre linhos e brocados,
Rodeados nessa hora
De pétalas vermelhas,
Centelhas de fogo
Plenas de cor
E de magia…

Tempo de bonança,
Tempos de alegria,
Réstias de esperança,
Gestos de amor…

E estendidos
Nesse leito de paixão
Eis-nos peito com peito,
Num só coração,
Nessa profusão de amor
Perfeito…

Sorvi teus beijos
E candura,
Desejos e ternura,
Ensejos e loucura,
Com pudor…

E, mergulhada
Nessas pétalas sem fim,
Olhaste para mim
Com terno amor…
Depois,
Num longo abraço,
No tempo e no espaço,
Sem cansaço,
Amei-te
Com deleite
Até ser dia…

E ali,
Entrelaçados,
Com gestos delicados,
Sorrimos um para o outro
Apaixonados
No nosso sonho lido…,
Eterno,
Infindo…
Os dois,
Sorrindo!...

José Sepúlveda


Vida

Vida

A vida é sofrimento, é alegria,
É lágrima, é sorriso, é ilusão,
A vida é guerra, é paz, é fantasia,
É sombra, é sol, é luz, escuridão

A vida é cruz, é virgo, é dor, é cria,
É carne, é tronco, é mar, imensidão,
A vida é frustração, paralisia,
É crença, é lar, é amor, é uma canção

A vida é loa, é mito, é noite, é dia,
É fé, é sede, é fonte, é fome, é pão,
É lentidão, coragem, agonia.

A vida é roda imensa que nos guia,
É sonho, é despertar, é uma paixão
Aonde o nosso corpo rodopia

José sepulveda

Poesia

 Poesia

Nesta singela folha te respiro,
Teu nome escrevo pela madrugada
E guardo no meu peito esse suspiro
Roubado de teu peito, minha amada

E sinto o coração pulsando imenso
Num longo e forte abraço... Só depois
Olhamos um pró outro, amor intenso,
Num tempo sem ter tempo, só dos dois

E as lágrimas caidas dos teus olhos
Naquela folha branca, sem abrolhos,
Sao para nós momentos de magia

Naquela folha branca sem valor,
Nasceu a mais singela e linda flor,
Um cântico de amor e poesia!

José Sepúlveda

Solidão

Solidão

Cansei-me de ser eu, para que existo?
Cansei-me de farsar com toda a gente …
Cansei me de imitar um outro cristo
Que a ser como eu pensava, era diferente…

Cansei-me de sonhar… Sei que sou visto
Por loucos, como um louco… E meu ser sente
Que ser humano é ser mas não ser isto
Que faz sofrer de forma deprimente!

Abaixo, ó vida cega, desregrada,
Dá paz à minha alma atormentada,
Não quero, não mais quero ser poeta!!!

Deixa viver meu pobre coração
Bem longe da tristeza, da ilusão,
Meus versos que apodreçam na gaveta !

José Sepúlveda

Doce Amor

Doce Amor

Olhei para os teus olhos cor de esperanca,
Fiquei extasiado a olhar pra ti
E percorri meus tempos de criança 
E ao ver teus lindos olhos me perdi...

Beijei teus rubros lábios... De repente,
Senti-me a viajar na fantasia
E nem sei bem o que me veio a mente
Nem definir aquilo que eu sentia

E quando olhei p'ra ti, p'ró teu sorriso,
Tao cheio de doçura, tão preciso,
Senti o teu amor em mim presente...

E, de repente, o tempo parecia
Parar no tempo, pleno de alegria...
E então, senti que és minha para sempre!

José Sepúlveda

Perdoa

Perdoa

Eu sei que vivo em falta p’ra contigo,
Que vivo sem viver na Tua luz,
Eu sei que sou irmão, não sou amigo
E longe de ti vivo, meu Jesus!

Eu sei, não sei viver se estou sozinho
E meu agir, eu sei como te ofende
E quantas vezes fico no caminho
Se há um aliciante que me prende

Eu sei que este viver não vale nada,
É como areia em praia abandonada,
É barco em alto mar, sem direcção

Por isso, aqui me encontro humildemente
Pedindo a tua ajuda, sê clemente
É dá-me, Cristo Amigo, o teu perdão!

José Sepúlveda


Orei por ti

Orei por ti
(aos meus amigos)

Eu hoje orei por ti ... Pedi a Deus
Mais força, paz e amor, amiga minha,
Que acalentasse sempre os olhos teus
Te desse a energia que eu não tinha

Pedi-lhe direcção pra teu caminho
E bençãos mil derrame sobre ti
Que sempre te outorgasse o seu carinho
Te desse o amor infindo que há em Si

E quando lhe levei esta oração,
Sente imensa paz no coração,
Saudade imensa do teu doce olhar

E a força que me vem dessa amizade
Me traz amor e paz, serenidade
E uma vontade imensa de te amar

José Sepúlveda

Natália

Natália 
A tua imagem meiga e delicada
Que olha para nós com tal candura
Esconde uma vivência alimentada
Por réstias de carinho e de ternura.

E quando, junto a nós, aqui sentada,
Nos falas desse amor com tal doçura,
A nossa mente esvai-se, mergulhada
Em água cristalina, imensa, pura.

Fica connosco, dá-nos essa paz,
Que teu sereno olhar sempre nos traz
Palavras brandas, cheias de dulçor.

E deixa-nos viver em cada dia
Essa experiência linda, essa harmonia
Que reacende em nós imenso amor!

José Sepúlveda

O Teu Sorriso

O Teu sorriso

Que paz imensa sinto a olhar para ti!...
O teu olhar transmite-me candura
E, ao olhar-te, foi que percebi
Quão belo é teu amor, tua alma pura

Deixa-me olhar o teu olhar sereno,
Sentir todo esse afecto que irradia…
Quero afagar teu rosto e num aceno
Viver tanta paixão, tanta alegria!

Deixa-me olhar teus olhos, glória infinda,
Que paz perene, Anita, como és linda,
Vem, traz-me o teu sorrir, Amy querida!

Se me ofereceres o teu sorrir sereno,
Guardá-lo-ei pra mim, qual verbo pleno,
E ele será meu por toda a vida!

José Sepúlveda

Beijo

Beijo

Que doce esse teu beijo apaixonado!
Ai como é bom sentir teus låbios puros
E de repente ver me acorrentado
A sentimentos nobres tão maduros

E canto para ti o nosso fado
Saído destes lábios inseguros
E vamos caminhando lado a lado
Galgando derribando imensos muros

Trilhemos pois amor nosso caminho
Amando, partilhando esse carinho
Que em sonhos nos clama a todo o instante

E quando, no fragor desta paixão,
Sentirmos como é bela este união,
Entao, tu serás minha eterna amante!

José Sepúlveda

Sinfonia do Mar

Sinfonia do Mar

Ao longe, o marulhar, a melopeia 
Das ondas desse meu imenso mar...
Chegou de madrugada, maré cheia, 
Em lindas melodias, seu cantar...

Eterna paz, caminho pela areia
Olhando mil gaivotas a voar
Num mágico bailado que se enleia
Aos sons da sinfonia , o marulhar...

Se de repente aquele mar se agita,
Eu perco-me de amor, minha alma aflita
Se lança pelas ondas sem temor...

Ó mar sem fundo, tão imenso e forte
Tu és meu mundo, sina, a minha sorte,
A Sinfonia Eterna do Amor!

Jose Sepulveda
(Poema para o Mar-à-Tona... em poesia
Dia 23 de Março ás 21:00 h
Diana-Bar - Póvoa de Varzim

Um Céu de Estrelas

Um Céu de Estrelas

Um Céu de estrelas... Olho o firmamento...
Meu pensamento voa para ti
E vivo intensamente esse momento
E nesse mar de esperança, te senti

Olho tão nobre e puro sentimento
Que brota do teu peito e me sorri
E nesse enleio imenso peço ao vento
Mil beijos de teus lábios de rubi

Estrela minha, brilha em meu olhar,
Eu hei-de me por ti apaixonar
Em cada curva desta imensa estrada…

E vamos dar um rumo á nossa vida
E nesse Céu de estrelas, tu, querida,
Serás a estrela em cada madrugada!

José Sepúlveda

Prece

Prece

Estou aqui, Senhor, indiferente,
Vivendo na mais pura apostasia,
Fujo de ti, de mim, de toda a gente
Envolto nesta triste nostalgia.

Desejo caminhar e de repente
Eu não consigo. Triste esta apatia
Que nos impele a percorrer na mente
Caminhos que nos mentem cada dia.

Meu Deus, vem-me ajudar, quero sentir
De novo essa alegria, esse prazer
Que nos faz renascer, nos dá fulgor.

Eu quero olhar para Ti, ver-Te sorrir,
E descobrir que em cada alvorecer
Renasce em mim a chama desse Amor

José Sepúlveda

Antologia dos Poetas Poveiros e Amigos da Póvoa


Melissa Fidalgo


Entrevista do Projecto Divulga/Escritor

Notícias » Cultura

30/05/2013 • 12h48 | atualizado em 31/05/2013 • 11h16

Os desafios que vem de Portugal,onde os poetas se rebelam Entrevista a Shirley M. Cavalcante


O poeta português José Sepúlveda quer restabelecer os elos da corrente escritor-editora-distribuidora-livraria-mercado para acabar com os atravessadores, que são verdadeiras quadrilhas de bandidos na área cultural

Poeta português José Sepulveda
José Sepoúlveda

Os desafios que vem de Portugal,onde os poetas se rebelam
Reinaldo Cabral
A jornalista paraibana Shirley M.Cavalcante  abriu espaço e o poeta português José Sepúlveda pôs o dedo na ferida do mercado editorial latino-americano:escritor é para escrever,editora é para publicar,distribuidor é para distribuir e livraria é para vender. 
A equação é simples mas em toda a América Latina a queixa é comum entre os escritores:atravessadores – para não chamar logo de quadrilhas de bandidos - tem provocado  verdadeiras rupturas nessa cadeia, desencadeando prejuizos incomensuráveis à produção literária, a propria literatura com a apropriação indébita de direitos autorais e a transformação de autores em mendigos e vendedores que estragam sua autoestima no esforço de vender seus proprios livros.
O poeta português José Sepúlveda se propõe a mudar esse processo. Já publicou pelo menos seis coletâneas de poesias em seu blog no facebook e a mobilização  que está encabeçando pretende espalhar por toda a América Latina. Já desenvolve uma campanha de conscientização através do grupo Solar de Poetas com os pés no chão. Contudo considera essa uma luta quase desigual frente a picaretagem organizada contra a nova poesia e literatura continentais,mas, como sonhador, vê alguma chance de vitoria com  a reação em cadeia quando essa proposição for difundida. E cita como um bom exemplo, essa projeto da jornalista e poeta Shirley M. Cavalcante, via facebook, o Divulga Escritor há menos de seis meses no ar. Sua entrevista: 
José Sepúlveda Nascido em Delães, Vila Nova de Famalicão.
Hoje mora em  Póvoa de Varzim – Portugal, ex-funcionário Público, amante da literatura, administrador do grupo Solar de Poetas, no facebook, apoia vários projetos literários, organiza e participa com regularidade em Saraus e Tertúlias.
 Algumas de suas coletâneas:Arca de Quimera, Cantar de Amigo,Exaltação,Intimidades, Auto de Cera Fina, O Canto do Albatroz.

SMC -Grande mestre José Sepúlveda, para nós é uma honra tê-lo conosco no Projeto Divulga Escritor. José conte-nos como começou sua paixão pela escrita?
José Sepúlveda (Sepúlveda)– Quem me dera ser poeta, Shirley. Comecei a ter contacto com a poesia ainda de tenra idade, quando o meu pai, na sua oficina na de alfaiataria, nos confins da aldeia onde nasci, improvisava com os amigos algumas quadras populares, em forma de cantiga popular.
Quando entrei para o ensino primário, deparei-me com os primeiros poemas do Cancioneiro recolhido por Almeida Garrett: A Nau Catrineta, A Bela Infanta… Lembro bem a avidez com que lia a Moleirinha ou a Balada da Neve de Augusto Gil; O lavrador da Arada, do cancioneiro tradicional português.
Depois, com o decorrer dos anos, já no segundo ciclo de ensino, fui a incursão na poesia trovadoresca, com Garcia de Resende e oos mestres de então e a penetração nos malabarismos poéticos que nos ofereciam., entre eles os acrósticos, ainda hoje tão do agrado de muitos poetas.
A partir daí, o gosto pela poesia foi sempre crescendo, começando com as minhas produções tão insípidas pelos doze anos.
Cerca dos dezesseis anos – nessa altura já escrevia poesia de forma mais regular – colaborei num ou noutro jornal ou revista, tendo tido uma coluna num dos semanários poveiros de então.
É por essa altura que surge a primeira coletânea: Musa Perdida.
O período até cerca dos 23 anos foi de grande produção poética. Jazem na Arca de Quimeras (uma arca guarda da religiosamente no sótão) muitas dezenas de manuscritos ainda por tratar .
Foi nesse período que aperfeiçoei a técnica pelos versos de sete sílabas e outras técnicas estruturadas de escrever poesia, sobretudo o soneto.

SMC -Você hoje é uma referência em projetos literários em Portugal, principalmente para os Poveiros, é responsável pela publicação de coletâneas, conte-nos um pouco como foi seu primeiro projeto Literário?
Sepúlveda– Para falar no primeiro projeto literário, teria que recuar aos meus dezoito anos, altura em que com alguns amigos organizamos um pequeno grupo de tertúlia – Convíviu, que se reunia regularmente nas antigas instalações do Posto de Turismo, na Póvoa. Aí divagávamos sobre poeta e escritores e desenvolvíamos alguns temas de interesse cultural.
Foi por essa altura em que tive contacto com José Régio que com os amigos João Marques e Luís Amaro se reunião aos sábados de tarde no Diana-Bar, hoje, Biblioteca da Praia, em pequenas tertúlias deliciosas, frente ao mar.
É nesse espaço místico que hoje o grupo Poetas Poveiros e Amigos da Póvoa organiza os seus mais marcantes eventos.
A partir daí, o gosto pela formação de grupos de interesse pela poesia nunca mais desapareceu. Mas reactivou duma forma incontornável em 2011, com a formação do grupo Poetas Poveiros e Amigos da Póvoa, que se dedica à promoção de saraus e tertúlias, divulgação de autores escondidos por aí e apoio â publicação dos seus trabalhos, através de parcerias com uma ou outra editora. Esse trabalho é um desafio constante e cria em nós um sentimento de realização pessoal imenso. Apesar do pouco tempo de existência, são já diversas as obras publicadas e as que estão em vias de o ser.

 SMC - Musa Perdida, Kay, Anjo Branco, Pastorinha, Arca de Quimeras , O Canto do Albatroz, … são alguns de seus trabalhos, em que você se inspira para desenvolver seus trabalhos?
Sepúlveda– Alguns dos temas de inspiração de quem escreve são recorrentes e variados. Mas a amizade, o amor, o mar são temas usados por quase todos os poetas . Eu não fui diferente . Mas o amor teve e tem sempre um lugar cativo, bem presente, naquilo que escrevi e escrevo. Com excepção de O Canto do Albatroz, mais generalista , todas as colectâneas mencionadas tem como pano de fundo o amor e as suas musas.

SMC - Quais são as suas referências literárias? Que autores influenciaram em sua formação como escritor?
Sepúlveda– Na minha juventude tive poetas e escritores que marcaram de forma quase irreparável a minha forma de escrever: Luís de Camões, Antero de Quental, Flor bela Espanca, António Nobre, sonetistas de excelência; mas Fernando Pessoa, essencialmente através do heterónimo Álvaro de Campos, José Régio, Guerra Junqueiro, Miguel Torga, António Gedeão e tantos outros, marcaram-me duma forma muito acentuada, quase irreversível.
Depois, uma incursão curiosa pelos grandes clássicos: Homero, Virgílio, Shakespeare e noutra área, Tolstoi, Gorky.
Há três livros que me deliciaram e marcaram: O Músico Cego de Vladimir Korolenko; A Aparição, de Virgílio Ferreira; Olhai os Lírios do Campo, de Erico Veríssimo.
Depois, poemas marcantes: O Mostrengo, de Pessoa; o Cântico Negro, de Régio: O Operário em Construção, de Vinícius. Quantos mais!…

SMC -Você criou o Grupo Solar de Poetas, como foi que surgiu a ideia de criar um grupo Literário? Quais os projetos que temos hoje no Solar?
Sepúlveda– A ideia de formar um grupo literário, em que a poesia fosse rainha surgiu logo que tive acesso ao facebook e comecei a mergulhar em alguns dos grupos que então começavam a proliferar no ciberespaço. Daí que a formação do Solar de Poetas surgiu quase de forma natural.
Antes dele, já o Albatroz cantava na sua página – O Canto do Albatroz, através do Blogue que criara e no qual estão publicadas algumas das minhas coletâneas.

SMC - Quais os principais desafios que encontras como gestor do Grupo Solar de Poetas?
Sepúlveda– Os desafios são sempre grandes. Há uma espécie de sede insaciável que nos empurra e nos leva a cada dia querer mais, novos projetos, novas iniciativas.
Daí, as parcerias que vamos estabelecendo com Rádios, com outros espaços cujo objetivo se identifique com o nosso – divulgar cultura.
Nem sempre é fácil a gestão dum grupo assim, dado a necessidade de presença contínua e do aparecimento de aliciantes que tornem o espaço vivo e atraente. Para isso, o contributo assíduo e dedicado de ilustres administradoras que com carinho dedicam tempo precioso no acompanhamento e comentário dos trabalhos que vão surgindo, num espírito de dedicação que não pode deixar de ser exaltado. A todas elas, as que aqui já deram o seu contributo e as que ainda mantém essa coragem e perseverança de estar presentes, a minha gratidão.
Daí, a necessidade sistemática de recurso a desafios e eventos, e iniciativas como esta – Divulga Escritor, que veio valorizar de forma significativa o nosso espaço.

   SMC - Você esta publicando um livro no segundo semestre de 2013, o livro já tem um Titulo? fale-nos um pouco sobre seu livro, como esta sendo os processos para publicação?
Sepúlveda– O livro chamar-se-á Um Céu de Anil e a curiosidade surge pelo facto da maioria dos seus poemas terem sido escritos no bloco de apontamentos do telemóvel, ao longo dos últimos meses.
 Nele será incluída também uma súmula de poemas inseridos numa ou noutra colectânea.

   SMC -Quais as melhorias que você citaria para o mercado literário em Portugal?
Sepúlveda– Um dos objetivos dos grupos que dirijo – Solar de Poetas e Poetas Poveiros e Amigos da Póvoa, é sem dúvida apoiar e divulgar as obras escritas por autores mais ou menos iniciados e que tem guardado os seus poemas nas gavetas à espera de oportunidade de divulgação.
Acho que o mercado começa a perceber que um autor não terá que escrever, pagar pela impressão das suas obras e ainda por cima ter que ser ele a divulga-las, quase a mendigar a sua compra dos seus livros. Há que alterar todo esse status e cada um dos componentes assumir as suas responsabilidades. Ao autor cabe-lhe e escrever, ao editor editar, o distribuidor distribuir e ao leitor ler. Enquanto não for assim, tudo estará distorcido, Há que mudar mentalidades. Mudar é sempre uma forma de crescer

SMC - Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação, muito bom conhecer melhor o Escritor José Sepúlveda, que mensagem você deixa para nossos leitores?
Sepúlveda– É para mim um grande privilégio poder participar neste projecto, que providencial e generosamente surge no ciberespaço e que será., com certeza uma referência que muitos terão como desafio a seguir.
Uma mensagem de confiança para os autores. Os tempos irão mudar. Surgirá o dia em que cada auto poderá divulgar as suas criações sem necessidade de mendigar para que as criações atinjam o seu alvo – o leitor. Quando assim acontecer, poderemos gritar : A Poesia vive, viva a Poesia.
Obrigado, Shirley , pelo teu empenho na divulgação da poesia e dos seus criadores de sonhos.

- See more at: http://www.abemradiotv.com.br/noticias/cultura/2013/05/30/181/os-desafios-que-vem-de-portugal-onde-os-poetas-se-rebelam-entrevista-a-shirley-m-cavalcante#sthash.XgxU2CV6.dpuf

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Vem






Vem,
dá-me um longo abraço, meu amor...
vem abraçar as garças, as gaivotas,
voando, esvoaçando em derredor
com mil trinados loucos, delirantes,
e em seus bailados ébrios, incessantes
banhar-nos de carinho, de fulgor...

Vem...
dá-me um longo abraço, meu amor,
vem ver no mal o sol que declina
em mananciais de estrias e se anima
beijando as águas frias do seu mar
naquele abraço cheio de magia!

Vem...
dá-me um longo abraço, meu amor,
vem dar-me o teu abraço à luz da lua
que faz brilhar meu rosto, teu olhar,
vai-te despindo até que fiques nua
e sinta o corpo teu a me abraçar...
Depois, entrelaçados, sobre a areia,
sem medos, sem temer a maré cheia,
amemo-nos e diz p'ra mim: sou tua

E nesse sonho lindo, por te amar,
te peço, meu amor,
vem-me abraçar!!!



José Sepúlveda




Sereia Azul







Sereia Azul, dulçor dos meus encantos,
Sulco os recantos deste imenso mar,
Desfaço-me em poemas, doces cantos,
Na esperança de algum dia te encontrar

E nesse caminhar, livre de prantos,
Mergulho nas carícias desse olhar
E perco-me nas ondas, rastos santos,
Dos teus cabelos lindos a brilhar

Deixa voar o sonho, a fantasia,
Permite-me viver essa utopia
Que em ti, Sereia, pude reencontrar

Que desde que caíste no meu peito
No afago dos teus seios me deleito
E aguardo, na esperança de te amar



José Sepúlveda



segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Solidão





Que sonhos de ventura, que tristeza,
Que denso nevoeiro vagabundo
Que a fome de ternura torna imundo
E a dor que me consome assim despreza.

A turba soa além, no fim do mundo,
Gemendo melodias com frieza,
A gente já não sente e é com certeza
Alheia à pobre dor dum moribundo.

Cantai, águas do rio, águas do Tejo,
Cantai num só clamor que se praguejo
Não é por vos querer mal, é por não querer

A dor que vive em mim da qual não vejo
Chegar o fim, cantai que o realejo
Que ouvis sem harmonia é meu sofrer!





José Sepulveda

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

No teu Jardim






Um dia, passeando em teu jardim,
Eu mergulhei, amor, num sonho lindo…
Olhei-te quando olhavas para mim
E, ao ver o teu olhar, olhei, sorrindo…

E, nesse enleio que não via o fim,
Meu coração ficou feliz, sentindo
Que o nosso amor crescia. Agora, sim,
Podíamos viver um sonho infindo…

Que bom sentir-te dentro do meu peito
Neste caminho puro, são, perfeito,
E ver-te junto a mim, sempre, presente…

E peço a Deus, em canto de louvor,
Que venha abençoar o nosso amor
E possa ter-te sempre, eternamente!



José Sepúlveda