segunda-feira, 5 de maio de 2014

Meu verso, Meu berço, Meu poema, por terres de Santa Cruv




Meu Livro

Imagem: Pintura de Adriana Henriques, interpretativa deste poema. Quadro e poema apresentados no Evento: As Cores da Poesia, organizado pela Fundação Jorge Antunes, casa da Cultura de Vizela


MEU LIVRO

Tu eras meu refúgio, esse caminho
Aonde procurava algum sossego.
Buscava o teu conforto, o teu carinho,
Levava-te escondido e em segredo.

E ao pisar as pedras do caminho,
Às vezes me perdia, tinha medo
De calcorrear a estrada tão sozinho,
Desamparado neste meu degredo.

E, quando em minha mão, te devorava,
Tragava-te palavra após palavra
Na ânsia de uma nova descoberta.

E página após página encontrava
O lenitivo que me consolava
E me indicava sempre a estrada certa.

José Sepúlveda





quinta-feira, 1 de maio de 2014

O Meu Abril

O meu Abril

Olho para o teu rosto de perfil
E lembro um outro Abril do meu passado,
Um lindo alvorecer, um céu anil
E um meigo olhar, tão puro e delicado.

Deixara há pouco tempo o meu redil
Tão cheio de alegria, esperançado
Nos dias de bonança, sonhos mil,
Em construção, contigo de meu lado

E vivo o nosso sonho eterno e doce
Cantando essa alegria que nos trouxe,
Subindo a nossa escada passo a passo

E neste canto à vida, à liberdade
Tu dás-me a tua paz, serenidade,
E eu dou-te o meu amor num longo abraço.

José Sepúlveda

A Ponte


Poema interpretativo da foto, por convite do autor

Um Tesouro chamado Livro

Mensagem na página da ANLPPB - Academia Nacional de Letras do Portal do Poeta Brasileiro. Projeto "Um Tesouro Chamado Livro"

Com a participação dos queridos poetas portugueses José Jose Sepulveda, dos Poetas Poveiros, ( vários autores, nossa IV Antologia e o Mosaicos de Sabedoria de minha autoria, quatro tesouros em cumprimento ao
nosso importante projeto!




Tempestade


Pintura interpretativa do poema, pela pintora Barbara Santos (Barreiro)

As cores da vida



Aquele Maio

Meu Maio, lindo Maio, que saudade
Eu sinto desse Maio doutras eras
Levávamos no peito uma verdade
Sonhada no passar das primaveras

O povo se espalhava p’la cidade
A partilhar seus sonhos e quimeras;
As mínguas dessa longa eternidade
De lutas, de fracassos e de esperas

A paz, o pão, saúde, habitação,
Trabalho, liberdade de expressão,
O fim da guerra! Forte, essa vontade!

Naquele Maio alegre e pueril
Ousámos reviver o nosso Abril

Gritando pela nossa liberdade

sexta-feira, 18 de abril de 2014

25 de Abril



Liberdade

Salgueiro Maia sai com seus soldados
De Santarém naquela noite escura
E pra Lisboa vão determinados
A por um fim a longa ditadura

Chaimites e panhards avariados
Chegaram junto ao Tejo e - que loucura -
O povo os recebeu com rubros cravos
De braço dado em toda essa aventura

E ouvia-se gritar: - O Povo Unido
Agora nunca mais será vencido!
- Abaixo a opressão. - Haja igualdade!

- Ponhamos fim à guerra colonial!
- A Pide pra Caxias, Tarrafal!
- Morte ao fascismo! - Viva a liberdade!

José Sepulveda





Manhã de Abril

Naquela noite de quimeras mil
Salgueiro Maia, em plena madrugada, 
Juntou os seus soldados na parada
E ousou falar-lhes desse novo Abril

E disse-lhes: - Que Estados encontramos
Por esse mundo além? Capilalismo,
Fascismo, Socialismo, Comunismo
E este estado triste a que chegámos

- A este estado vamos por um fim;
E todo o que quiser venha após mim
Até Lisboa nesta noite escura...

E logo Companhia a Companhia
Seguiu seu Comandante e nesse dia
Ousaram derrubar a Ditadura!

José Sepúlveda

Butterfly