quarta-feira, 10 de julho de 2013

Abraço

ABRAÇO

Deixa-me ficar contigo, amor,
enlaçar-me no teu peito
e adormecer , sorrindo,
sem tempo nem espaço...
e me deleito
sentindo o teu calor,
o teu abraço,
eterno,
infindo...
Deixa dissolver-me
em teu regaço
e esvair-me no teu corpo lindo,
sorrindo,
sem cansaço!!!

José sepúlveda

Louca Paixão

LOUCA PAIXÃO

Há junto a mim uma menina linda
que sempre me enternece o coração
e, quase em fim de tempo, eu posso ainda
viver bem junto a si longa paixão

Por mais que ela me escuse em cada instante
e tente por em causa a relação
eu serei sempre o seu eterno amante
senhor do seu amor, dessa afeição

E se algum dia, no raiar da aurora
a minha musa pensar ir embora
deixando-me a cantar meu triste fado

Eu partirei, loucura , em seu encalço
pois não ouso pensar que seja falso
o seu amor tão belo e dedicado.

José Sepúlveda

Troika

RECORDANDO OS CRAVOS NA ERA DOS CRAVAS

Troika ruim e cruel que , nos surgiste
Tão cedo nesta terra descontente,
Avia-te daqui rapidamente
Que nenhum português ficará triste

Se lá, desse teu lar donde surgiste
Memória desta terra se consente
Nunca te esqueça nunca a nossa gente
A quem tão fracos tratos inflingiste

E se vês que te é dado a compensar
Toda esta dor imensa que deixaste
Nos meses em que andaste a torturar

Pede a deus, em quem nunca acreditaste,
Que bem cedo te faça acompanhar
Do ninho de coelhos que criaste

El Greco (José Sepúlveda)

Póvoa de Varzim

Póvoa de Varzim

A Noroeste da Península se situa
A mais formosa praia lusitana,
A imensa terra nostra que nos chama,
A Póvoa, terra minha, terra tua

És berço de poetas, de escritores,
De heróis que em terra e mar por ti lutaram
E com coragem nobre acarinharam
Em vida tantos, tantos pescadores

Vem ver o Eça, o Maio, o Calafate,
O Sérgio, o Lagoa e quantos mais
Que morrem exaltando-a até ao fim

Vem ver as lindas colchas de escarlate
Durante as procissões, pelos beirais
Cantando à linda Póvoa de Varzim

José Sepúlveda

Navegando

Navegando

Navego nesse mar imenso, infindo,
Ouvindo a doce brisa, o marulhar…
E nessa melopeia vou seguindo
P’ra onde a maresia me levar

No céu, as densas nuvens se esvaindo
Em lágrimas que tombam sobre o mar…
E as forças lentamente vão fugindo,
E sinto-me perdido, a navegar…

Algumas aves voam lá no céu
Sob esse oculto sol, agora breu,
Amedrontadas por me ver penar

E nesta nostalgia peço a Deus
Que venha perdoar pecados meus
Que a vida insiste em não me perdoar…

José Sepúlveda

Poemas

Poetas
Quantos poemas fiz, quantas belezas
Mandei a meu amor quando era meu,
Quantas loucuras vãs, quantas vilezas
Ridículas contei, quantas, ó céu!

Chamaram-me poeta, quais nobrezas!
Que és tu, irmão poeta, mais que eu?
Poemas são palavras, são certezas
Que a mais singela frase enterneceu.

Poetas somos nós, é toda a gente
Que vive neste mundo e é somente
A forma de escrever que em nós varia

Se alguns dizem poemas a cantar,
Também os há que os dizem sem falar
E quem, silente e só, faz poesia!

José Sepúlveda

Cego do Maio

Cego do Maio

Nasceu num berço humilde e carinhoso
Esse poveiro cheio de valor.
O mar foi para si seu grande gozo,
Alfobre de ternura e grande dor.

E em cada dia um gesto corajoso
Se sucedia. E ia sem temor
Roubar ao mar imenso e revoltoso
A vida de um e outro pescador.

Tão cheio dessa vida abnegada
Foi receber um dia a Torre e Espada
Das mãos do Rei. E com simplicidade

Pegou numa saqueta com beijinhos
E disse, rodeado de carinhos:
- São para os seus cachopos, Majestade!

José Sepúlveda

Nostalgia

Quisera

Há duas coisas que, paciente, espero
Da minha deusa em forma de mulher.
Primeira: estar bem certo que eu a quero;
Segunda: estar bem certo que me quer.

Depois, ver-me embalar num peito aberto
Nada encoberto e, sem me aperceber,
Ver-me abraçado em frenesim liberto,
Corpo com corpo, ardendo sem arder.

E ver sonho ancestral concretizar-se:
Dois seres num só ser, prontos a dar-se
E um fruto desse puro amor nascer.

Ver de seu ventre, em choros aflitos,
Surgir loiro rebento, em altos gritos,
Nessa aventura louca de viver!

José Sepúlveda

Quisera

Quisera

Há duas coisas que, paciente, espero
Da minha deusa em forma de mulher.
Primeira: estar bem certo que eu a quero;
Segunda: estar bem certo que me quer.

Depois, ver-me embalar num peito aberto
Nada encoberto e, sem me aperceber,
Ver-me abraçado em frenesim liberto,
Corpo com corpo, ardendo sem arder.

E ver sonho ancestral concretizar-se:
Dois seres num só ser, prontos a dar-se
E um fruto desse puro amor nascer.

Ver de seu ventre, em choros aflitos,
Surgir loiro rebento, em altos gritos,
Nessa aventura louca de viver!

José Sepúlveda

Pedala

Pedala, Miguel

Dedicado ao meu filho Miguel 
quando da doença grave por que passou.
(Poema reescrito a partir de uma mensagem
encontrada na Internet)

No princípio,
eu olhava para Jesus com outro olhar.
Via um Jesus vigilante,
Juiz que não esquecia
as coisas erradas que eu fazia

Sempre, a cada instante.


Ele estava ali, com Seu poder,
Senhor e Fonte do saber…
Reconhecia a Sua imagem
mas não tinha coragem
de O conhecer

Mais tarde,
quando passei a conhecê-Lo,
pareceu-me que a vida
era como um passeio de bicicleta
e percebi que Jesus seguia atrás,
de forma discreta,
segurando-me e ajudando-me
a pedalar…
E tudo ficou mais belo!

Não me lembro quando foi
que Ele mudou para o meu lugar,
só sei que desde esse dia
a vida ficou cheia de alegria…
E queria cantar!

Conforme o tempo
voava como o vento
e agora me tornara paciente,
tudo ficou mais compreensível,
todo o momento feliz e atraente…
Quando eu estava no comando,
sabia onde queria chegar
e quase sempre encontrava
um caminho exequível.
Mas, incrível, não ficava satisfeito,
Tudo aquilo era previsível… mas imperfeito…

Depois que Jesus assumiu a liderança,
Cresceu-me a confiança.
Dia após dia descobria
que Ele conhecia atalhos maravilhosos.
Passei a subir montanhas,
transpor terrenos pedregosos,
trajectos vertiginosos!
Tudo o que tinha que fazer
era segurar-me confiante
E correr, correr, sempre adiante…
Ele dirigia,
E eu, contente, sorria!
E conquanto
Às vezes me parecesse uma loucura
Ele apenas dizia:
“Segura, Miguel, segura!"



Quando me sentia
ansioso e preocupado,
perguntava-Lhe:
“Senhor, vamos por esse lado?”
Ele corria,
e trocávamos olhares à porfia…
Pouco a pouco foi crescendo a confiança.
E quando às vezes
me surgia a desesperança,
Ele virava-se para trás,
agarrava fortemente a minha mão…
e zás!
Na sua doce e mansa fala,
dizia: “Pedala, Miguel, pedala!”

Levou-me até pessoas que não conhecia;
deu-me o dom do serviço e da alegria…
Depois, olhava para mim… e sorria.
Muitas das pessoas
que trouxe até mim
apoiaram-me em momentos difíceis
e me ajudaram a superar obstáculos
e a prosseguir assim na minha caminhada.
…E, juntos, derrubámos toda a barricada!

E dia após dia
passei a pedalar
na Sua companhia…

Um dia, olhando para mim,
olhos nos olhos,
disse-me:
“Entrega os dons que trazes na mochila
aos amigos e vizinhos da montanha ou da vila.
Às tuas costas são abrolhos, ou espinhos,
é supérflua… e pesada!,
Não vale nada!”
E, sorrindo,
comecei a distribui-los
por todos que encontrava.
E pude descobrir com alegria
que quanto mais dava,
mais recebia!
E o meu fardo
era mais suave e leve
em cada dia…

Ao princípio, não compreendia
e vivia indeciso e com temor.
Mas o Senhor conhecia bem
os "segredos" da minha bicicleta,
sabia como incliná-la em curvas arrojadas,
como elevá-la para transpor
obstáculos e valadas,
lugares pedregosos, charcos lamacentos,
proteger-nos de frios e de ventos…
… e no meio de tantas redundâncias,
desmembrar caminhos e atalhos,
encurtar distâncias...
…e trabalhos!
Aprendi a ouvi-Lo cantar ao pedalar
nos caminhos mais incertos,
aprendi a apreciar a planície infinda,
Estendida em espaços abertos,
E cada dia mais linda…, mais linda!
senti o soprar da fresca brisa
que nos desliza pela fronte,
ao subir a serra, ao descer o monte…
E eu sorria ao desfrutar tanta alegria!

Agora,
quando sinto que não posso ir mais além,
olho em Seu olhar sereno
que num aceno me sorri
Como quem diz: - Estou aqui…
e com fraternal carinho,
murmura baixinho:
“Pedala, Miguel, pedala, filhinho!..."

José Sepúlveda

Veronese

Veronese

Os gritos entoavam lá na praia
Perante tal cenário. E, impotente,
No Veronese há gente que desmaia
Ao pressentir a morte à sua frente.

Chegaram os poveiros. Já se ensaia
O modo de abordar aquela gente.
E o comandante impede que se saia
Ao ver nova tragédia tão presente.

Então, Lagoa chama os seus amigos
Que sem ligar a apelos ou perigos
Se lançam lá no mar, à sua sorte.

E envoltos em coragem, destemor,
Alcançam num instante esse vapor
Salvando toda a gente. Gesta forte!

José Sepúlveda

Passeio Alegre

Passeio Alegre

Passeio alegre. A multidão se agita
Num louco frenesim, sem mais parar.
O povo se atropela e se espevita
Em longas caminhadas junto ao mar.

E toda aquela gente nos incita
A passear felizes, sem parar.
E nem sequer se fala, quase grita
Que é grande o alarido ali no ar.

Em noites de luar, o mar sereno
Nos chama e nos convida num aceno
A desfrutar momentos de prazer.

Que bom ouvir o mar, seu marulhar
E no silêncio e paz reencontrar
Essa alegria imensa de viver!

José Sepúlveda

Espelho

Espelho…
(à laia de soneto)

Quando cheguei ao espelho o meu rosto
E me fitei, ainda com a esperança
Que um dia me encontraria, sem gosto
Fiquei ao ver uns olhos de criança

Velhos, velhos! Com desprazer me encosto
E ali fico tão vário que me cansa
Saber que sou eu e quase que aposto
Que nem eu sou. E já sem confiança

Olho-me bem. Tristeza! Baixo os olhos
E sem querer fito o chão. Só escolhos,
Só lixo. Não, sou só! Porque não vou

Convosco? Somente por cretinice…
De novo, olhei p’ra mim e p’ra mim disse:
- Não posso mais deixar de ser quem sou!...

… e adormeci no sono da vida

José Sepúlveda

Estrela

Minha Estrela

aquela estrela linda que me guia
quer seja noite e dia, como é bela
seu nome é Luz do Mundo, simpatia,
e não existe estrela como ela

quando a seu lado, a luz que ela irradia
tudo ilumina enquanto por mim zela...
e sinto segurança e alegria
ao ver em si a minha doce estrela

a noite vem..., me abraça com carinho
me dá um terno beijo e bem baixinho
me diz: estou aqui, amor da minha vida

e sigo nessa estrada que nao finda
gritando; Minha Estrela, como és linda
vem, luz do meu caminho, estrela amiga!

José Sepúlveda

Ressentimento

Ressentimento 

Aquele coração humilde e bom
Que minha mãe me deu quando nasci,
Não tem qualquer valor, perdeu o dom
De perdoar, fui eu quem o perdi

Saudade, que saudade! O coração
Que aos mais humildes consolar eu vi,
Já não consegue dar consolação
Àqueles a quem tanto prometi

Senhor, vem dar-me forças, dar-me paz,
Bem vês que só por mim não sou capaz
De perdoar a quem me fez sofrer.

O orgulho e a vaidade vem limpar
Para que a quem me ofende eu possa dar
A paz e a alegria de viver!

José Sepúlveda

Amy

AMY

Olhei p'ra ti... e vi-te de repente
Olhando para mim com alegria...
meu coração saltava de contente
ao ver o teu sorriso, Ana Maria!!!

Ai, como é belo o teu sorriso lindo,
Ai, como é meigo e doce o teu olhar!!!
Deixa viver, amor, o sonho infindo
Que estou seguindo em febre de te amar

E se este sonho se extinguisse um dia?
Não sei, amor, não sei o que faria
Se um dia tu partisses para sempre...

Por isso, peço a Deus em oração
Que viva sempre em mim teu coração
E possa amar-te assim eternamente!

José Sepúlveda

Vento

Vento,
Se vires aí
A minha menina
Diz-lhe que a vida triste
Que espezinha o pensamento
Não existe,
São coisas de momento,
E ilusão…

E, como o sentimento,
É uma bola de sabão
Que em dado momento
Se solta a ti, vento,
E estoira na mão…
Blaaaammm!... ,
Diz-lhe que não sofra,
Não!

Diz-lhe que o tempo
Transforma o momento
Em ocasião…
E conta-lhe,
Ó vento,
Que o seu olhar tão lindo
Vai sair sorrindo
Com paixão…

Dê tempo
Ao tempo,
Ó vento,
E que essa tortura
Que traz amargura
Se transforme
Em sentimento
De ternura
Enooorrrrme
E encha de candura
O seu coração...
Não pares no tempo,
O tempo não dorme,
Ó vento,
Não sejas mauzão…

José Sepúlveda


Louco

LOUCO

Tanto preciso ser louco
Para me esquecer do mal
Que ao meu redor se propaga

Que se deixasse um só pouco
Essa loucura anormal
Que nunca de mim se apaga

Num louco me tornaria,
Loucura sem alegria
E sem ter qualquer valor

Pois minha realidade
É ser louco de verdade
Mas ser louco por amor

José Sepúlveda

Sedução

SEDUÇÃO

Chamaste-me amiguinho. Atarantado,
Olhando sem saber o que fazer,
Aqui fiquei perdido, baralhado,
Pensando no que havia de dizer.

Trocamos um olhar mal disfarçado
Com cândido brilhar. Não ousei ler,
No teu sorriso lindo, amordaçado,
Palavras que nem qu’ria compreender!

Menina frágil, doce, tão sensível,
Aqui, desta mansão do impossível,
Te envio o meu abraço, o meu carinho.

Avança, não desistas, segue em frente,
Que mesmo neste mundo inconsistente
Um dia hás-de encontrar o teu caminho!

José Sepúlveda

Por do sol

Pôr-do-Sol

O mar está sereno. Pela areia,
Gaivotas mil brincando ao desafio…
É fim da tarde e já a maré cheia
Se diluiu por entre o penedio…

O sol ameno já não se incendeia
Naquele mar infindo… e já sorrio
Ao contemplar aquela bola cheia
Que vai beijando o mar num desvario…

E, quando chega a hora, o sol se esconde
Lá longe, no infinito e até onde
Meus olhos não se cansam de alcançar…

Momentos lindos, de magia, encanto,
Ver esse sol cobrir-se com seu manto
De espuma, envolto nesse imenso mar…

José Sepúlveda

Carta de Amor

Carta de Amor

Encanto de minha alma, em cada instante
Tu nasces e renasces no meu peito,
Tu és a minha amada, eterna amante
E, envolto nos teus braços, me deleito

Ai, doce companheira, doravante,
Proclamarei o amor e o respeito
Que sinto por te amar e nesse canto
Serás no meu jardim o amor-perfeito

Vem, dá-me o teu abraço, o teu carinho,,
Ensina-me a trilhar esse caminho
Que um dia prometemos caminhar,

Quando surgirem pedras de tropeço,
Galgá-las-emos sempre, a qualquer preço,
Sorrindo, de mãos dadas, a cantar!

José Sepúlveda

Nectar

Néctar

O néctar duma paixão
é qual taça que se eleva
e faz jus ao coração…

…no principio, nos alegra,
mas a seguir embebeda
e quando fermenta azeda…

Não é mais que uma ilusão
Que logo se desintegra.

Blaaammmm!!!!

José Sepúlveda

Rosas

ROSAS

Aqui te envio rosas, minha amada…
São rosas que eu espalho à tua frente
Para que possa ter-te bem presente,
Bem perto de minha alma apaixonada…

E quando, pela alta madrugada,
Tu fazes parte do meu corpo e mente
Me sinto como vão delinquente
Vagueando tão sozinho nessa estrada

São rosas de toucar que eu algum dia,
Seguindo para alem da fantasia,
Hei-de entregar-te em suave amanhecer…

E quando as minhas rosas te entregar
Descobrirei, por fim, como encontrar,
De novo essa alegria de viver

José Sepúlveda

Pétalas Vermelhas

PÉTALAS VERMELHAS

As rosas, lindas rosas, meu amor
São pétalas vermelhas que espalhei
Na tua cama, em tudo ao teu redor
Co’as rosas mais formosas que encontrei

Inala pois o seu intenso olor,
Descobre nelas tudo o que eu não sei
Dizer-te por palavras, o fervor
Com que te amo e sempre te amarei

E um dia, ao recordares este dia
Envolta nessas rosas, que a alegria
Eu possa ver brilhar no teu olhar

Que eu sei que as rubras pétalas dirão
Como é feliz e grato o coração
Que envolto nessas rosas te vou dar

José Sepúlveda

Relógio

Relógio

Quem passa junto à praia, na esplanada
E eleva para o alto o seu olhar
Vai ver naquela torre iluminada
A hora que o relógio teima em dar.

Se o tempo para uns não vale nada,
É para outros coisa basilar
Que o tempo nesta nossa caminhada
Passa a correr p’ra nunca mais voltar.

Aprende esta lição: se o vires passar
Não pares, continua a caminhar
Mas vai descontraído, sem ter pressa.

Não vale a pena andar sempre a correr
Se na verdade o tempo é p’ra viver
E em cada instante a vida recomeça

José Sepúlveda

Vates

VATES
(imitação de soneto)

Fui assistir a um desfile
De vates da nossa terra 
E entre poemas mil
Falaram de paz, de guerra

Falaram do céu anil
De paixões e de quimera
Abordaram de perfil
Segredos que a vida encerra

Vi sonetos, redondilhas,
Quadras soltas, maravilhas,
Entre muita fantasia

Vi também verso corrido
Com sentido, sem sentido,
Tudo escrito em poesia

José Sepúlveda