terça-feira, 20 de agosto de 2013

Angélica


A Angélica partiu, foi descansar. Até logo, Angélica

Angélica

Do teu esquife, de sorriso aberto,
Olhavas para mim com terno olhar…
Teu coração estava já liberto
Daquela escravatura de pasmar

Olhei pra ti em tua graça infinda;
Sorrias tal qual foras minha mãe
E vi no teu olhar - coisa mais linda! -
O outro meu sorriso que Deus tem

Aliviada agora  dos teus fardos,
Tristeza, solidão, espinhos, cardos ,
Transportas esperança no teu peito

E lá no assento etéreo, junto a Deus,
Tu vais reencontrar os filhos teus
E um novo mundo, puro, são, perfeito!


José Sepúlveda

sábado, 17 de agosto de 2013

Oração

Senhor, não tenho forças p’ra pensar.

Se penso, o meu pensar não é seguro,
Se espero, essa verdade que procuro
É meu sofrer, Senhor, é meu penar

Quando em Ti vivo, vivo p’ra sonhar
Com sentimento são, imenso, puro.
E brilha a luz no meu solar escuro,
E sinto ânsia infinita de cantar

Desculpa, Deus, desculpa, Pai Celeste,
Meu coração sem cor, minha alma agreste
Que vive a profanar queixumes seus.

A minha crença em fogo prevalece!
Eu posso tudo em quem me fortalece!
E eu sei que a minha força és tu, Meu Deus!

José Sepúlveda

Junto ao Mar

Junto ao mar

Voai, esvoaçai, lindas gaivotas,
Voai a minha volta com prazer,
Trazei-me a minha paz em suaves notas
E dêem alegria ao meu viver

E nas vossas canções tão sãs, devotas,
Eu sinta paz, ouvindo a voz do mar
E dentre as melodias, notas soltas,
Encontre em mim vontade de as cantar

As águas mil se estendem sobre a praia
E o mar sereno quase que desmaia
No areal sem fim à minha frente

E e oiço a encantadora melodia
Que cantas para mim durante o dia
Num suave levitar, puro, silente!


José Sepúlveda

 Deriva

À Deriva

O breu oculta a minha face escura ...
Porque será, meu Deus, que vivo triste
Porque será que o mal que em mim existe
Resiste em libertar minha alma impura

Que vida triste, cheia de amargura,
Olho pra mim e a mágoa que me assiste
Insiste em querer ficar meu ser resiste
E quase se aproxima da loucura

Não quero este viver, esta ansiedade.
Quero gritar à vida, à liberdade,
Reencontrar meu sonho já perdido…

Se um dia em meu clamor, em meu tormento,
Reencontrar por fim meu pensamento,
A vida então vai ter novo sentido


José Sepúlveda

domingo, 11 de agosto de 2013


Arquiteto de palavras 

Ó alma irrequieta, o que te leva
À tua estranha forma de viver?
Ora navegas ente a luz e a treva,
Ora mergulhas num brutal sofrer

O que te arrasta a essa vida cega
Que faz de ti o mais estranho ser? 
És alma que se afirma, se renega,
Que vive intensamente  e faz viver

Tu és um arquiteto de palavras:
Apanha-las em bruto e quando as lavras
Tu dás-lhes vida, luz e movimento…

Pasmai, homens sem credo, vá, reparem
Que quando estas palavras se cruzarem 
Ninguém irá calar seu pensamento!


José Sepúlveda

Serenidade


Serenidade

Eu hoje, ó Pai, senti imensa paz
Ao vir a tua Casa de Oração,
Gozei desse silêncio que nos faz
Sentir amor e paz no coração

E é puro o sentimento pois nos traz
Momentos de deleite, adoração…
É uma sensação que nos apraz
E induz à paciência, à reflexão 

Ai, como é bom viver o a,Amor, ó Deus,
Sentir abrir as portas la do céus,
Ouvir suaves cânticos, louvor!...

E no silêncio ouvir dizer: - Meu filho,
Eu sinto me feliz pois vejo o brilho
Do teu olhar refletindo o meu Amor!


José Sepúlveda

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Este poema lindo


Receita para fazer um poema


Receita para fazer um Poema

Pegamos num braçado de rosas com espinhos
Juntamos- lhe pitadas  de amor e de carinhos.
E lavamo-lo com restos de tristeza,
Adicionamos sabores 
De irreverência e de beleza.
E batemos forte, com destreza,
Até sentir cansaço!
Deixamos apurar com ventos e marés
Polvilhando a seguir  com um abraço.
Adorna-se com penas e com flores
E sabores a maresia,
Juntam-se pedacinhos de ilusão e de magia
Com pitadas  do mais lindo alvorecer…
Apura-se com raízes de paixão
E pigmentos de euforia e deixa-se ferver
Em perfeita sintonia.
Enfeita-se com pitadas  de absinto e de jasmim.
E recheia-se com sonhos e quimera
E fica assim, durante um pouco,
Em banhos de frenesim, à sua espera.

Serve-se louco.

terça-feira, 23 de julho de 2013

De manhã


Despertei de manhãzinha
Ao canto de um passarinho
E foi p’ra ti, queridinha
O meu amor e carinho

Ao ver os prados, os montes,
Essas belezas sem fim,
Meus olhos são duas fontes
Porque estás longe de mim

Fecho os olhos. De repente,
Tento no céu encontrar
Esse sorriso silente
Que cintila em teu olhar

Vem para mim, vem depressa
E rejeita o despudor
De tudo o que se atravessa,
Afrontando o nosso amor.

Se eu soubesse

Ai se eu soubesse, Amiga! Sei agora
Dessa tristeza e imensa solidão,
Que te atormenta a alma, que em ti mora
Trazendo sofrimento, escuridão.

Se é triste o sentimento que hora a hora
Te vai atormentando o coração,
Liberta-te depressa, lança-o fora
Desse teu peito cheio de paixão.

Escuta, amor, não deixes que o lamento
Insista em perseguir-te o pensamento
E foge dessa tua escravidão.

E então, irás sentir desde esse dia
O renovar da força, da energia
E a poesia vindo em profusão.

José Sepúlveda

O teu sorriso

O teu sorriso lindo que aqui vejo
Olhando para mim com meigo olhar
Me traz muita alegria e um desejo
De ver-te numa flor desabrochar

Olhando para ti, sinto o ensejo
De, como numa noite de luar,
Te ver brilhar ao som de um doce harpejo
Em brisa suave, silente sussurrar

E me deleito e inalo o teu perfume
Com sentimento puro, sem queixume,
Das coisas que te causam maior dor

E olhando nos teus olhos te sorrio
Lançando no teu peito o desafio
De te agarrares à vida sem temor…


José Sepúlveda

Fado

Perdi-me em teu olhar, quanta alegria
Eu sinto quando olho para ti
Procuro esse sorriso e simpatia
Que emana dos teus olhos, me sorri

E todo o sofrimento, nostalgia,
Do tempo em que no tempo me perdi,
Olhando nos teus olhos se esvazia
Nesse sorriso lindo que em ti vi

Não percas teu sorriso, essa alegria,
Quem sabe, se amanhã, se um outro dia
Nos vamos encontrar e doravante

Te vais cruzar comigo em qualquer lado
Fazendo do teu fado o mesmo fado
Que canto para ti em cada instante

Os teus poemas

Ao ler os teus poemas, num instante
Eu sinto o coração a saltitar…
Descubro neles uma vida errante
Partindo à descoberta de outro mar

E nesse trilho agreste, cativante,
Tão cheio de volúpia, de prazer,
Não ouso descobrir a eterna amante
Mas antes o fascínio de escrever

E quando a tua mente me desperta
Com pena sensual, mais liberta,
O coração exulta de alegria

Por isso, aqui, à laia de homenagem,
Te peço: mantém sempre essa coragem

E deixa-te esvair em poesia!

São Rosas

Olhava para mim apaixonada
E passeava à volta, em meu jardim,
Tentava desvendar o o que encontrava
Nas coisas que guardava para mim

E enquanto em meus segredos mergulhava
Tentando descobrir coisas assim,
Num tom apreensivo, perguntava:
- Que levas no regaço, querubim?

E nesse turbilhão de pensamentos,
Tentando controlar os sentimentos
Que possam dar tormentos, trazer dor,

Tentando aliviar a sofridão,
Abri de par em par o coração,
Mostrando-lhe: - São rosas, meu amor!

Ana Cláudia



Perdi-me quando a ouvi falar um dia…
Minha alma se sentiu apaixonada
Sentindo tudo aquilo que dizia
Cantando versos, alta madrugada

O tom de sua voz, serena, calma,
Nos transmitia temas de encantar
Saídos das entranhas de sua alma
E eu extasiado a ouvir cantar

Não deixes nunca que esse teu talento
Se veja ultrapassado pelo tempo,
Mas grita com vigor, com alegria

Que é belo, nobre e forte o sentimento
Que vive na raiz do pensamento
E salta do teu peito em poesia

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Memórias de Joana


Memórias de Joana

Joana, aqui das Minas do Lousal
Eu ouço e canto o grito do teu peito
A tua luta entre o bem e o mal
Num tom harmonioso, tão perfeito

E paro e reflito... É que, afinal,
Levado neste enleio, me deleito
Em teu singelo e doce versejar
Com gestos maternais e de respeito

Por isso, joaninha, aqui eu canto
Em melodias simples esse encanto
Em descobrir teu coração amigo

E ao penetrar ousado em teu viver
Eu acabei enfim por perceber
Que a vida faz agora outro sentido

José Sepúlveda

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Mar


Ó MAR

Ó mar!
Porque será
que tuas águas 
tão mansas,
mergulhadas
numa quietude impar...,

Porque será
que tuas águas
tão límpidas,
com beleza
de pasmar...,

Porque será
que tuas águas
tão puras
e que tanto
nos alegram...

Se transformam
de repente
em águas tristes,
sujas,
soltas,
impuras,
sempre revoltas?...

Na tua resposta
Irás dizer
que este espécime de animal
que em ti busca prazer
nasceu para ser bom,
diferente...,
eternamente,
no seu caminho
contra a verdade...

Pequenez?
Destino?
Falta de carinho?

Nao!,
Falta de vontade!

José Sepúlveda


Jardim

Jardim

Em certo jardim do Porto
Onde há poemas pelo chão
Algo existe triste e torto
A afrontar meu coração

Poeta, diz-me, poeta,
Porque ocultas teu olhar?

Canta Nobre, canta Nobre
Para essa gente perdida
Pois mesmo a gente mais pobre
Merece um dia ter vida

Poeta, diz-me, poeta,
Em que estás tu a pensar?

Ó Jesus que estás tão perto
Desta tão ingénua gente,
Põe seu coração desperto
P’ra que não seja descrente

Poeta, diz-me, poeta,
Porque não estás a cantar?

Em certo jardim do Porto
Onde brincam mil crianças
Algo existe triste e torto
A abalar nossas esperanças

Poeta, diz-me, poeta,
Porque fixas meu olhar?

Rapazes cantam tristezas
Ali junto ao hospital
E perdem-se nas fraquezas
Mais próprias dum animal

Poeta, diz-me, poeta,
Porque segues meu andar?

Há lá poetas perdidos
Que na vasta solidão
Versejam despercebidos
Com tremores no coração

Poeta, diz-me, poeta,
O que te faz admirar?

Em certo jardim do Porto
Rodeado de verdura,
Um salgueiro quase morto
Lamenta a sua tortura

Poeta, diz-me, poeta,
Porque estás tu a chorar?

Os cisnes não se levantam
Os homens tristes estão,
Os passarinhos não cantam
E tudo é desilusão

Poeta, diz-me poeta,
Achas grande o teu penar?

Veio uma banda animar
Toda esta tristeza alegre
E, ouvindo a banda tocar,
Um homem, chorando, escreve

Poeta, amigo poeta,
Vem comigo, anda cantar!

José Sepúlveda

Abraço

Abraço

Deixa-me ficar
contigo,
amor,
Enlaçar-me
no teu corpo
e adormecer
sereno,
sorrindo,
sem tempo
nem espaço,
sentindo o teu calor,
o teu abraço
eterno,
infindo…
Deixa
que me esvaia
no teu corpo
lindo!

José Sepúlveda

Joana

Joana 

Joana, como é lindo o teu olhar
Olhando o meu, assim, tão penetrante!
Olho p’ra ti e logo, num instante,
Eu fico enternecido, sem falar!

O teu sorriso doce, de encantar,
Traz aos meus olhos brilho radiante.
E ouço a tua voz a cada instante
A me dizer: Avô, vamos brincar?

Vem-me abraçar-me, amor, e vem trazer
A força e alegria de viver
A este meu cansado coração

E vem dizer-me com o teu carinho:
Eu quero-te abraçar, meu avozinho,
Só quero o teu amor, tua afeição!

José Sepúlveda

Lindo Mar

Lindo Mar

Que lindo o Mar… Lá longe, o rodopio
Das aves, desbravando o azul sem fim,
Gaivotas a cantar ao desafio
Trinados encantados para mim

E olhando todo aquele desvario
Que põe todo o meu corpo em frenesim,
Eu sinto pela espinha um calafrio
E sonho essa magia de Aladin

E quando nesse voo singular
Mergulham triunfantes sobre o Mar
Na busca desse pão de cada dia,

Já vejo o nosso amor desabrochar
E vivo não mais eu mas esse Mar
Nascido no meu peito, que alegria!

José Sepúlveda

Teus Olhos

Teus Olhos

Que belos são teus olhos cintilando
No espectro de minha alma apaixonada...
Olhando o teu olhar, de vez em quando
Eu sinto essa paixão acorrentada.

Às vezes te desejo... e com desmando,
Procuro-te na longa madrugada
E, enquanto te procuro, vou pensando:
- Será nossa paixão desencontrada?

Ao resguardar bem dentro de meu peito
O teu olhar sereno, são, perfeito,
Eu caio num clamor, um brado aos céus...

E logo chega a paz, tanta alegria
E olho-te com terna simpatia
Sentindo que teus olhos já são meus!

José Sepúlveda

Abraço

ABRAÇO

Deixa-me ficar contigo, amor,
enlaçar-me no teu peito
e adormecer , sorrindo,
sem tempo nem espaço...
e me deleito
sentindo o teu calor,
o teu abraço,
eterno,
infindo...
Deixa dissolver-me
em teu regaço
e esvair-me no teu corpo lindo,
sorrindo,
sem cansaço!!!

José sepúlveda

Louca Paixão

LOUCA PAIXÃO

Há junto a mim uma menina linda
que sempre me enternece o coração
e, quase em fim de tempo, eu posso ainda
viver bem junto a si longa paixão

Por mais que ela me escuse em cada instante
e tente por em causa a relação
eu serei sempre o seu eterno amante
senhor do seu amor, dessa afeição

E se algum dia, no raiar da aurora
a minha musa pensar ir embora
deixando-me a cantar meu triste fado

Eu partirei, loucura , em seu encalço
pois não ouso pensar que seja falso
o seu amor tão belo e dedicado.

José Sepúlveda

Troika

RECORDANDO OS CRAVOS NA ERA DOS CRAVAS

Troika ruim e cruel que , nos surgiste
Tão cedo nesta terra descontente,
Avia-te daqui rapidamente
Que nenhum português ficará triste

Se lá, desse teu lar donde surgiste
Memória desta terra se consente
Nunca te esqueça nunca a nossa gente
A quem tão fracos tratos inflingiste

E se vês que te é dado a compensar
Toda esta dor imensa que deixaste
Nos meses em que andaste a torturar

Pede a deus, em quem nunca acreditaste,
Que bem cedo te faça acompanhar
Do ninho de coelhos que criaste

El Greco (José Sepúlveda)

Póvoa de Varzim

Póvoa de Varzim

A Noroeste da Península se situa
A mais formosa praia lusitana,
A imensa terra nostra que nos chama,
A Póvoa, terra minha, terra tua

És berço de poetas, de escritores,
De heróis que em terra e mar por ti lutaram
E com coragem nobre acarinharam
Em vida tantos, tantos pescadores

Vem ver o Eça, o Maio, o Calafate,
O Sérgio, o Lagoa e quantos mais
Que morrem exaltando-a até ao fim

Vem ver as lindas colchas de escarlate
Durante as procissões, pelos beirais
Cantando à linda Póvoa de Varzim

José Sepúlveda

Navegando

Navegando

Navego nesse mar imenso, infindo,
Ouvindo a doce brisa, o marulhar…
E nessa melopeia vou seguindo
P’ra onde a maresia me levar

No céu, as densas nuvens se esvaindo
Em lágrimas que tombam sobre o mar…
E as forças lentamente vão fugindo,
E sinto-me perdido, a navegar…

Algumas aves voam lá no céu
Sob esse oculto sol, agora breu,
Amedrontadas por me ver penar

E nesta nostalgia peço a Deus
Que venha perdoar pecados meus
Que a vida insiste em não me perdoar…

José Sepúlveda

Poemas

Poetas
Quantos poemas fiz, quantas belezas
Mandei a meu amor quando era meu,
Quantas loucuras vãs, quantas vilezas
Ridículas contei, quantas, ó céu!

Chamaram-me poeta, quais nobrezas!
Que és tu, irmão poeta, mais que eu?
Poemas são palavras, são certezas
Que a mais singela frase enterneceu.

Poetas somos nós, é toda a gente
Que vive neste mundo e é somente
A forma de escrever que em nós varia

Se alguns dizem poemas a cantar,
Também os há que os dizem sem falar
E quem, silente e só, faz poesia!

José Sepúlveda

Cego do Maio

Cego do Maio

Nasceu num berço humilde e carinhoso
Esse poveiro cheio de valor.
O mar foi para si seu grande gozo,
Alfobre de ternura e grande dor.

E em cada dia um gesto corajoso
Se sucedia. E ia sem temor
Roubar ao mar imenso e revoltoso
A vida de um e outro pescador.

Tão cheio dessa vida abnegada
Foi receber um dia a Torre e Espada
Das mãos do Rei. E com simplicidade

Pegou numa saqueta com beijinhos
E disse, rodeado de carinhos:
- São para os seus cachopos, Majestade!

José Sepúlveda

Nostalgia

Quisera

Há duas coisas que, paciente, espero
Da minha deusa em forma de mulher.
Primeira: estar bem certo que eu a quero;
Segunda: estar bem certo que me quer.

Depois, ver-me embalar num peito aberto
Nada encoberto e, sem me aperceber,
Ver-me abraçado em frenesim liberto,
Corpo com corpo, ardendo sem arder.

E ver sonho ancestral concretizar-se:
Dois seres num só ser, prontos a dar-se
E um fruto desse puro amor nascer.

Ver de seu ventre, em choros aflitos,
Surgir loiro rebento, em altos gritos,
Nessa aventura louca de viver!

José Sepúlveda

Quisera

Quisera

Há duas coisas que, paciente, espero
Da minha deusa em forma de mulher.
Primeira: estar bem certo que eu a quero;
Segunda: estar bem certo que me quer.

Depois, ver-me embalar num peito aberto
Nada encoberto e, sem me aperceber,
Ver-me abraçado em frenesim liberto,
Corpo com corpo, ardendo sem arder.

E ver sonho ancestral concretizar-se:
Dois seres num só ser, prontos a dar-se
E um fruto desse puro amor nascer.

Ver de seu ventre, em choros aflitos,
Surgir loiro rebento, em altos gritos,
Nessa aventura louca de viver!

José Sepúlveda