segunda-feira, 7 de abril de 2014

Meu verso, Meu berço, Meu poema


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Saudação




Crónica de José Pedro Marques
VIZELA, 2014.04.06
DOMINGO
17.00H

ONTEM Á NOITE NO DIANA BAR
LIVRO DE POEMAS “MEU VERSO, MEU BERÇO, MEU POEMA”
DE JOSÉ SEPÚLVEDA

Sob alguma chuva, lá fomos, ontem à noite, de Vizela até à Póvoa de Varzim. O destino era o “DIANA BAR”, extensão da biblioteca municipal poveira. Para a participação, ainda que de forma passiva, em mais um dos já numerosos eventos literário-poéticos da iniciativa e responsabilidade do José Sepúlveda, enquanto criador do “Solar dos Poetas” e dos “Poetas poveiros e amigos da Póvoa”.
Para apresentação de mais este livro, agora da autoria do poeta José Sepúlveda, exímio sonetista, uma vez mais foi a Dr.a Conceição Lima, já baptizada e rebaptizada “madrinha dos poetas”. Já isto afirmamos e vamo-nos repetir: o Solar dos Poetas (com os poetas poveiros e amigos da Póvoa) e Conceição Lima por força do seu programa radiofónico HORA DA POESIA, passaram a ser duas partes de um todo. Inseparáveis e indivisíveis como se de irmãos siameses se tratasse.


Ontem, foi o” dia de festa” do Sepúlveda. De fato a rigor. Como de fato a rigor (como dantes era habitual nos domingos de ver-a-Deus” e se vestia a melhor roupa) se apresentaram os seus filhos Pedro e Luís. E nós também! E muitas mais pessoas também! E as senhoras, essas então, nunca falham! E como disse o seu filho Pedro, se uns o chamam “Zé Sepúlveda”; outros, apenas José; outros, o poeta José Sepúlveda; ele, seu filho Pedro, lhe chamava simplesmente “PAI”. Com todo o carinho, respeito e veneração filial como ali foi testemunhado e da assistência arrancou uma calorosa aclamação. De um filho que também já é Vizelense!
Foi uma sessão muito linda, com uma moldura humana muito boa com bons dizedores de poesia. E com o brilhante acompanhamento musical do Álvaro Maio, inseparável companheiro do autor desde a infância, ao que nos pareceu ter ouvido. E ”vizinho”. Ali ao lado, em Esposende. Uma sessão onde não faltaram as “secções” derivadas do “Solar dos Poetas”. Com uma referência especial às de Viana do Castelo e de Braga. Se não com tão numerosas “claques” de apoio, de outros lados os amigos apareceram. Diz o POVO que “os amigos são para as ocasiões”. E ontem foi ocasião. Muito especial para o autor do novo livro de poemas “ Meu verso, meu berço, meu Poema”, cuja capa foi da autoria do seu filho Luís que também fez a leitura de um poema. Como também o fez a esposa Amy e a nora que veio dos lados da Lousã. E o filho Pedro, Vizelense. E não vamos referir todos os dizedores, porque nem todos couberam na memória de que dispúnhamos para a nossa reportagem. A esses não incluídos pelo motivo que ultrapassou a nossa vontade, a nossa explicação e o nosso pedido de desculpa.


Sabemos, como dizíamos, do impacto de um momento assim tão gratifiicante para quem é homenageado através da apresentação da obra. Por isso já passámos também.  E numa situação destas é que se entende, com mais profundidade, o quanto vale ter amigos… solidários. Assim disse Manuela Bulcão, na introdução ao poema que leu. E se formos aos encómios, justos e merecidos – justos e merecidos e verdadeiros! – de Conceição lima ao longo de toda a apresentação da OBRA, que mais nos resta dizer, amigo Sepúlveda?...
Ainda mais umas coisitas… Desde a apresentação de ti poeta  à garantia que deste de que a Márcia Filipa irá ver mesmo publicado  um livro com poemas dela; e à forma brilhante como Conceição Lima sabe fazer (e fez!) da apresentação dos poemas como foi o caso nesta sessão, dos poemas deste livro teu, houve muitos episódios. Dos musicais de Álvaro Maio e vozes doces de embalar, à voz dramática e tonitroante do Carlos Lacerda  E a muitos “encontros”.  A começar pelo “encontro” com Manuela Bulcão e Tina Tinoco; houve arquitectura de palavras; houve a tua “performance” na leitura do poema que deu o nome ao teu livro “Meu verso, meu berço, meu poema”; houve uma sereia azul cantada e descoberta no oceano dos teus sonhos no teu mar da Póvoa; houve a contagem do tempo, no “Relógio” da Fátima Veloso; a tua vida de dois num só no poema da tua Amy Dine; dos teus filhos e nora: do perdão à prece, em momentos de “À deriva” e ao “Senhor, ouve o meu grito, a minha voz” na voz inflamada de Conceição Lima, depois da dura experiência de um “Nocturno” gravado na alma e na carne. Como também a contemplação. De paisagens interiores e do mar. Vendo-o e ouvindo lá longe o encanto da tal sereia azul; olhando para ele, na voz de Teresa Teixeira, oriunda das Alturas de Barroso e do Larouco e Montalegre pelo meio nas funduras das ruínas cenóbias de Sta Maria de Pitões das Júnias. Um nunca mais acabar de cenários e paisagens numa sessão de “arquitecdtura de palavras” em verso; em poema e em soneto. Houve até pecados! Imagina! Pecados de “sacrilégio!” do Álvaro Maia a cantar fado!


Uma recordação, caro amigo, que guardarás, gratificado para toda a tua vida.
Venha outro livro, que “ a seara é grande”; e para esta, muitos são já os trabalhadores! A sementeira foi feita e nesta “festa das tendas” ela é possível porque os “renovos” foram abençoados pelo Senhor do Padrão na “festa poética da espiga”. 

Notícias
A Voz da Póvoa, semanário, 9 de Abril

 Portal Municipal

Biblioteca Rocha Peixoto














Um carinho do meu amigo Artur

Retrato feito no decorrer da apresentação do livro
Meu verso, Meu berço, Meu poema


Um carinho da minha amiga Sol

PARABÉNS, AMIGO ALÉM MAR!

J á disse a ti, meu amigo além mar,
O quanto és tão especial pra mim?
S ou a amiga que tanto o adora sim,
É s tudo de bom da vida, o sonhar!...

S e só o amor é feito de amizade,
E sperança de um dia até encontrar,
P aira no ar deste teu lindo Solar...
U m doce és tu, carinho, vem saudade!...

L eve és como uma tão suave brisa,
V ai e vem, logo, o vento já me avisa,
E sorris em mim: - Tão doce a cantar!

D a resposta com ternura, então falo:
A poesia está em ti e não me calo:
- É feita na harmonia e pra encantar!

Soneto Acróstico para meu amigo além mar, Jose Sepulveda, grande poeta e parceiro. Muitas felicidades e muito sucesso com teu novo livro!!

© SOL Figueiredo — com Jose Sepulveda.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Mar –á-Tona… em Poesia

Tema: Heróis do Mar

Local: Póvoa de Varzim, Diana-Bar - Biblioteca da Praia

MAR-Á-TONA  em poesia

Local: Diana-Bar, Biblioteca da Praia
Póvoa de Varzim

Data: 22 de Março de 2014
Hora: 21:00


Pelo terceiro ano consecutivo, o grupo Poetas Poveiros e Amigos da Póvoa vai comemorar o Dia Mundial da Poesia com a organização de um grande Sarau de Poesia e Música.
Desta vez, iremos invocar aqueles que de algum modo se têm distinguido, com atos heroicos ou outros, nas lides do mar.
No decorrer desta fase de produção poética, serão colocadas narrações de factos heroicos de poetas poveiros que servirão apenas de fonte de inspiração para que cada poeta possa falar dos seus heróis.
Além de diversas intervenções poéticas dos convidados, saídos dentre os elementos dos grupos do facebook Poetas Poveiros e Amigos da Póvoa e Solar de Poetas, teremos a intervenção de:
. Grupo de Fados da Universidade Sénior da Póvoa de Varzim
. Uma surpresa muito especial
… e muita, muita alegria e convívio entre poetas de todo o país
Como participar:
- Concorrentes
Os poemas deverão ser inéditos e subordinados ao tema proposto: Heróis do Mar.
A haver exceções a esta regra serão da exclusiva responsabilidade do grupo organizador.
Cada participante inscrito no evento poderá publicar um poema único, que deverá ser colocado neste evento, até ao dia 20 de Fevereiro.
Os poemas poderão ser também publicados no grupo Solar de Poetas (e Poetas Poveiros e Amigos da Póvoa, para os participantes neste grupo).
Esses poemas serão depois compilados e os que forem selecionados pelo grupo organizador farão parte duma
coletânea que será oferecida aos poetas que intervierem no decorrer do evento.
- Participantes no Sarau
Dos concorrentes acima indicados, sairão os convidados para participar no Sarau.
Alem destes, irão participar os elementos do grupo Poetas Poveiros e convidados que a organização entenda trazer ao evento.
Os poetas que pretendem estar presentes no Sarau para apresentar os seus poemas devem manifestar essa intenção quando da publicação do seu poema no evento.
Alguma dúvida ou questão deverá ser reportada por mensagem para o seguinte endereço de correio eletrónico: correiasepulveda@gmail.com
As respostas às dúvidas que surgirem serão esclarecidas neste espaço.
Muita inspiração, poetas... Viva a Poesia!


Poetas Poveiros e Amigos da Póvoa
 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O Teu sorriso



O Teu sorriso

Que paz imensa sinto a olhar para ti!...
O teu olhar transmite-me candura
E ao olhar-te foi que percebi
Quão doce é bela é tua alma pura

Deixa-me olhar o teu olhar sereno,
Sentir todo esse afeto que irradia…
Quero afagar teu rosto e num aceno
Vive-lo com paixão, com alegria!

Deixa-me olhar teus olhos de menina
Que paz perene e doce que me ensina
A amar a vida. Dá-mo, minha amiga!

Se me ofereceres o teu sorrir sereno,
Guardá-lo-ei pra mim, qual verbo pleno,
E ele será meu por toda a vida!

José Sepúlveda

Eusébio



Pantera Negra

Chutavas nessas bolas de farrapos
Que com carinho e garra construias
Caías, rastejavas como sapos
Mas nunca te queixavas… e sorrias

Com todo aquele bando de ganapos
Vivias desfrutando essas orgias
Descalço, só coberto com dois trapos,
Saltadas e gritavas… e vivias

Depois, quando deixaste o teu cantinho,
Vieste conhecer novo caminho -
E assim foste escrevendo a nossa história

Trouxeste a toda a gente orgulho e arte…
Não partes que um guerreiro quando parte
Deixa no rasto o grito da vitória!

José Sepúlveda

Meus Filhos

Meus Filhos

De tantas, tantas graças excelentes
E bênçãos sem ter fim já recebidas,
Deste-nos, Deus, três filhos diferentes
E tão iguais, razão das nossas vidas.

Olha o Luís, tão sóbrio, tão amável,
Seus olhos irradiam alegria.
Sorrindo sempre, com falar afável
Vai espalhando amor e simpatia!

Olha o Miguel, sincero, artista nato,
Amante do desporto e do retrato,
Pacato em seu viver, giesta em flor

Por fim, o Pedro, filho dedicado
Que insiste viver sempre ao nosso lado,
Fazendo deste lar um lar de amor

José Sepúlveda

Lágrima

Lágrima

Seguia de mão dada pela estrada
Lançando para o filho um meigo olhar
A sua mente assaz preocupada
Por não ter alimento pra lhe dar

Os tempos são de míngua, são de mágoa...
E nessa luta atroz de cada dia
Um pouco de alimento, um copo de água
E a fome e a tristeza se alivia

Parou num contentor, abriu confiante...
a sua expectativa num instante
Se esvaneceu... ali não tinha nada

E ocultando o seu sorriso lindo,
Seus olhos, rio de água se esvaindo,
Um pouco de pão duro lhe entregava…

José Sepúlveda

O Menino

O Menino

Belém Efrata está alvoroçada! 
O povo se aglomera em todo o lado
Cansado por aquela atroz jornada
Atravessando o monte e o valado

A jumentinha mansa, fatigada,
Cansada, quase que perdia o tino,
Trouxera nessa sua caminhada
A mãe e, no seu ventre, o seu menino

Mas ao chegar feliz, pra seu espanto,
Os dois não encontraram um recanto
Aonde pernoitar, pela cidade

E numa manjedoura, entre animais,
No aconchego santo de seus pais,
Nascia o Salvador da humanidade

José Sepúlveda

domingo, 5 de janeiro de 2014

Pecado Original

Pecado Original

Do pó da terra um dia te formei
E dei‐te a minha Lei pra seres feliz
A terra e animais eu te entreguei
E era muito bom tudo o que Eu fiz

Estavas só e uma mulher te dei
Formada da costela, da raiz.
Mas ela transgrediu a minha lei
Um dia, ao ser tentada ‐ não me quis.

Que dia triste, Adão, que dor intensa!
Tu rejeitaste o acesso á vida imensa
Que com tão grande amor eu te quis dar

Para te reaver mudei a história...
E quis mostrar‐te o gozo da vitória
Morrendo numa cruz pra te salvar

José Sepúlveda

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O Natal da Vaquinha

Com muita honra e prazer
Venho aqui anunciar
Que uma linda mulher
Veio em meu leito gerar

Chegaram de Nazaré
Após longo caminhar
E nem ela nem José
Tinham onde pernoitar

Esta minha manjedoura
Vai ser o repouso seu
Há melodias lá fora
São os anjos lá do céu

Vou dar‐lhes o meu cantinho
Humilde para dormir
Olha‐me bem o menino
Que não para de sorrir

Burrico, vem por favor
Nesta noite longa e fria
Dar um pouco de calor
Ao menino e a Maria

Estou contente e feliz
Nesta noite iluminada
Co'a senhora e o petiz
Estou bem acompanhada

Andam cânticos no ar
São os pastores á porfia
Parecem querer cantar
Para Jesus e Maria

Chorai, ó homens sem tino,
Bradai alto em tristes ais
Lançastes este menino
Neste curro de animais

Sinto o coração em brasa
E esse sentir é profundo
Pois nasceu na minha casa
O Salvador deste mundo

José Sepúlveda

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Quarenta anos depois...

Um ano e outro ano, minha amada…
Pudemos nesse dia relembrar
Os dias  de aventura apaixonada
Que um dia prometemos partilhar

Penoso e longo o nosso caminhar
Com rosas e espinhos na jornada
Coragem sem limite a derrubar
As pedras de tropeço dessa estrada

E agora, ao declinar o sol poente,
Olhamos para trás como quem sente
Tristezas, alegrias sem medida…

E neste humilde lar que Deus nos deu
Eu vejo em ti a estrela do meu céu,
Meu verso, meu poema, minha vida.
José Sepúlveda

Lágrima

Lágrima

Seguia de mão dada pela estrada
Lançando para o filho um meigo olhar
A sua mente assaz preocupada
Por não ter alimento pra lhe dar

Os tempos são de míngua, são de mágoa...
E nessa luta atroz de cada dia
Um pouco de alimento, um copo de água
E a fome e a tristeza se alivia

Parou num contentor, abriu confiante...
a sua expectativa num instante
Se esvaneceu... ali não tinha nada

E ocultando o seu sorriso lindo,
Seus olhos, rio de água se esvaindo,
Um pouco de pão duro lhe entregava…

José Sepúlveda

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Sereia



Sereia

Fui ver o mar… Lá longe, bem distante,
Eu vi uma sereia que, a cantar,
No seu bailado alegre e triunfante. 
Lançava sobre mim um doce olhar

Sereia azul, tão bela, cativante,
Com teu olhar sereno, de encantar,
Além, no horizonte, num instante
Meu coração quiseste conquistar

Deusa do amor, se um dia te encontrar
Nas águas mais revoltas desse mar,
Eu hei-de-te abraçar, meu dom superno

Que desde que pulsaste no meu peito,
No teu amor intenso me deleito
Na esperança dum abraço imenso, eterno!

José Sepúlveda

Poetas



Poetas

Quantos poemas fiz, quantas belezas
Mandei a meu amor quando era meu,
Quantas loucuras vãs, quantas vilezas
Ridículas contei, quantas, ó céu!

Chamaram-me poeta, quais nobrezas!
Que és tu, irmão poeta, mais que eu?
Poemas são palavras, são certezas
Que a mais singela frase enterneceu.

Poetas somos nós, é toda a gente
Que vive neste mundo e é somente
A forma de escrever que em nós varia

Se alguns dizem poemas a cantar,
Também os há que os dizem sem falar
E quem, silente e só, faz poesia!

José Sepúlveda

São Rosas


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Beijo



Beijo

Que doce esse teu beijo apaixonado!
Ai como é bom sentir teus låbios puros
E de repente ver me acorrentado
A sentimentos nobres tão maduros

E canto para ti o nosso fado
Saído destes lábios inseguros
E vamos caminhando lado a lado
Galgando derribando imensos muros

Trilhemos pois amor nosso caminho
Amando, partilhando esse carinho
Que em sonhos nos clama a todo o instante

E quando, no fragor desta paixão,
Sentirmos como é bela este união,
Entao, tu serás minha eterna amante!

José Sepúlveda
Musa
Eu quero ouvir os sons, essa harmonia
Que a musa com seus versos te cantou,
Eu quero ouvir o tom e a melodia
Cantados quando a vida te entregou!

Ó areais sem fim, que dor sentia
Quando, abraçada a vós, se confessou!
Falai-me, por favor, da nostalgia
Que um dia a luz do dia lhe outorgou!

Eu quero acreditar: Toda a tristeza
São laivos de amargor e de incerteza
Que quando, ó mar, trouxer em seu clamor

Tu vais querer findar essa agonia
E vai raiar por fim um novo dia
Em que ela encontrará seu grande amor!

José Sepúlveda

Joana


Memórias de Joana

Joana, aqui das Minas do Lousal
Eu ouço e canto o grito do teu peito
A tua luta entre o bem e o mal
Num tom harmonioso, tão perfeito

E paro e reflito... É que, afinal,
Levado neste enleio, me deleito
Em teu singelo e doce versejar
Com gestos maternais e de respeito

Por isso, joaninha, aqui eu canto
Em melodias simples esse encanto
Em descobrir teu coração amigo

E ao penetrar ousado em teu viver
Eu acabei enfim por perceber
Que a vida faz agora outro sentido

José Sepúlveda

Ana Cláudia

Ana Cláudia

Perdi-me quando a ouvi falar um dia…
Minha alma se sentiu apaixonada
Sentindo tudo aquilo que dizia
Cantando versos, alta madrugada

O tom de sua voz, serena, calma,
Nos transmitia temas de encantar
Saídos das entranhas de sua alma
E eu extasiado a ouvir cantar

Não deixes nunca que esse teu talento
Se veja ultrapassado pelo tempo,
Mas grita com vigor, com alegria

Que é belo, nobre e forte o sentimento
Que vive na raiz do pensamento
E salta do teu peito em poesia

José Sepúlveda

Esperança



ESPERANÇA

Que ventania, amor, é forte o vento
Que sopra impiedoso sobre o mar,
Varrendo num instante o pensamento
De dias tão felizes a cantar.

Olhando para trás, num só momento
Vivido na esperança de te amar,
Ficou cá dentro um triste sentimento
De frustração e medo a torturar.

Agora, quando olho em teu olhar,
Procuro nos teus olhos encontrar
Os dias de bonança, o teu calor…

Vestido de esperança, hei-de ficar
Na ânsia de ainda um dia despertar
Teu coração para este imenso amor…

José Sepúlveda
Encontro


Atravessava a rua lentamente
E, de repente, vi-te do outro lado
A espera do autocarro que, atrasado, 
Parava ali na estrada indiferente


Entramos e ficamos frente a frente
Silentes, sorridentes, lado a lado
Trocámos um olhar mal disfarçado
E nosso coração saltou plangente


A voz da alma, só, gritava aflita
Num abafado som como quem grita
E sente amordaçado o seu clamor


E num momento imenso e subtil
Trocámos novo olhar, sorrisos mil,
E no silencio um grito: meu amor?

José Sepúlveda

Teus Olhos

Teus olhos

Quanta beleza encerra teu olhar 
Quanta beleza amor, tanta harmonia...
Meu coração não para de saltar
Ao contemplar-te, amor, quanta alegria!

E num silêncio louco de pasmar
Eu fico por aqui nesta agonia
E sem saber como te hei-de amar
E seres tu o amor que eu tanto qu’ria.

Quisera que algum dia chegue um dia
Coberto de ternura, de alegria
E num abraço puro e singular

Eu possa partilhar esta paixão
Que sinto em meu singelo coração
Que não se cansa nunca de te amar

José Sepúlveda

Noturno

Noturno

Durante a noite conversei com a treva,
Falei lhe deste nosso estranho amor
E perguntei-lhe aquilo que me leva
A esta relação que nos traz dor

E disse-me em silêncio: - O que te leva
A esta vida, trágico esturpor,
É essa teimosia que te eleva
Aos píncaros da glória sem valor?

- Se queres prosseguir nesse caminho,
Em cada rosa encontraras espinho
Que vai trazer-te dor, deixar ferida…

- Ouve meu grito, aqui do meu desterro
Nao queiras mais permanecer no erro
E dá um novo rumo à tua vida!

José Sepúlveda
Anita

Anita, vejo em ti essa menina
De longa cabeleira que algum dia
Eu encontrei na estrada, peregrina,
E com subtil olhar p’ra mim sorria.

Cruzamos nossas vidas. Nossa sina
Cresceu de braço dado e a harmonia
É para nós candeia que ilumina
O nosso amor tão cheio de alegria.

Não deixes que resquícios do passado
Se venham interpor ao nosso lado
E tragam até nós tristeza ou dor.

Eu sei que mesmo o vale mais profundo
Não há-de por em trevas este mundo
Que aos poucos construimos com amor!

José Sepúlveda

Desejo


Desejo

Almejo reencontrar-te, Cristo amado, 
Entrar nesse teu peito, em tua mente,
Contar-te as mágoas que minha alma sente,
Sentir o teu perdão desinteressado

O brilho dos teus olhos, eloquente
Licão de paz, de amor e de harmonia,
Faz-me sentir conforto e alegria
E torna a minha vida tão diferente

Abre meus olhos, quero despertar
Da minha letargia, reencontrar
A paz que faz viver serenamente

Ó! Não desvies teu olhar do meu
Eu sei que ainda um dia lá no céu
Nós vamos viver juntos para sempre

José Sepúlveda

Prece


terça-feira, 20 de agosto de 2013

Angélica


A Angélica partiu, foi descansar. Até logo, Angélica

Angélica

Do teu esquife, de sorriso aberto,
Olhavas para mim com terno olhar…
Teu coração estava já liberto
Daquela escravatura de pasmar

Olhei pra ti em tua graça infinda;
Sorrias tal qual foras minha mãe
E vi no teu olhar - coisa mais linda! -
O outro meu sorriso que Deus tem

Aliviada agora  dos teus fardos,
Tristeza, solidão, espinhos, cardos ,
Transportas esperança no teu peito

E lá no assento etéreo, junto a Deus,
Tu vais reencontrar os filhos teus
E um novo mundo, puro, são, perfeito!


José Sepúlveda

sábado, 17 de agosto de 2013

Oração

Senhor, não tenho forças p’ra pensar.

Se penso, o meu pensar não é seguro,
Se espero, essa verdade que procuro
É meu sofrer, Senhor, é meu penar

Quando em Ti vivo, vivo p’ra sonhar
Com sentimento são, imenso, puro.
E brilha a luz no meu solar escuro,
E sinto ânsia infinita de cantar

Desculpa, Deus, desculpa, Pai Celeste,
Meu coração sem cor, minha alma agreste
Que vive a profanar queixumes seus.

A minha crença em fogo prevalece!
Eu posso tudo em quem me fortalece!
E eu sei que a minha força és tu, Meu Deus!

José Sepúlveda

Junto ao Mar

Junto ao mar

Voai, esvoaçai, lindas gaivotas,
Voai a minha volta com prazer,
Trazei-me a minha paz em suaves notas
E dêem alegria ao meu viver

E nas vossas canções tão sãs, devotas,
Eu sinta paz, ouvindo a voz do mar
E dentre as melodias, notas soltas,
Encontre em mim vontade de as cantar

As águas mil se estendem sobre a praia
E o mar sereno quase que desmaia
No areal sem fim à minha frente

E e oiço a encantadora melodia
Que cantas para mim durante o dia
Num suave levitar, puro, silente!


José Sepúlveda

 Deriva

À Deriva

O breu oculta a minha face escura ...
Porque será, meu Deus, que vivo triste
Porque será que o mal que em mim existe
Resiste em libertar minha alma impura

Que vida triste, cheia de amargura,
Olho pra mim e a mágoa que me assiste
Insiste em querer ficar meu ser resiste
E quase se aproxima da loucura

Não quero este viver, esta ansiedade.
Quero gritar à vida, à liberdade,
Reencontrar meu sonho já perdido…

Se um dia em meu clamor, em meu tormento,
Reencontrar por fim meu pensamento,
A vida então vai ter novo sentido


José Sepúlveda

domingo, 11 de agosto de 2013


Arquiteto de palavras 

Ó alma irrequieta, o que te leva
À tua estranha forma de viver?
Ora navegas ente a luz e a treva,
Ora mergulhas num brutal sofrer

O que te arrasta a essa vida cega
Que faz de ti o mais estranho ser? 
És alma que se afirma, se renega,
Que vive intensamente  e faz viver

Tu és um arquiteto de palavras:
Apanha-las em bruto e quando as lavras
Tu dás-lhes vida, luz e movimento…

Pasmai, homens sem credo, vá, reparem
Que quando estas palavras se cruzarem 
Ninguém irá calar seu pensamento!


José Sepúlveda

Serenidade


Serenidade

Eu hoje, ó Pai, senti imensa paz
Ao vir a tua Casa de Oração,
Gozei desse silêncio que nos faz
Sentir amor e paz no coração

E é puro o sentimento pois nos traz
Momentos de deleite, adoração…
É uma sensação que nos apraz
E induz à paciência, à reflexão 

Ai, como é bom viver o a,Amor, ó Deus,
Sentir abrir as portas la do céus,
Ouvir suaves cânticos, louvor!...

E no silêncio ouvir dizer: - Meu filho,
Eu sinto me feliz pois vejo o brilho
Do teu olhar refletindo o meu Amor!


José Sepúlveda