quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Deixa-me ouvir


Deixa-me ouvir

Deixa-me ouvir a tua voz suave,
Rasgar o céu em doce  melopeia,
Abrir teu coração para que grave
O mavioso som na lua cheia

Que o grito do silêncio não apague
O fogo intenso e forte que encandeia
Os nossos corações mas neles guarde
O brilho desse olhar que me incendeia

Quem sabe se ao raiar da nova aurora
A bruma e a tristeza vão embora
E todo o sofrimento que em ti vive

Se apaguem nessa  noite de luar,
E num abraço, puro e singular,
Tu possas, meu amor, sentir-te livre!


José Sepúlveda

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Fénix

Pintura de Kika Luz

Fénix


Perdi-me nos teus olhos…  E o destino
Teus olhos me levou p’ra o fim do mundo
E vagueei na terra, peregrino
Como se fora um pobre vagabundo

E todos os meus sonhos de menino
Se dissiparam nesse vale profundo.
Fiquei á vaguear só e sem tino
Buscando a luz num túnel sem ter fundo

E, quando em desespero, sem esp’rança,
Quis pôr um fim a esta má lembrança,
Lançando ao esquecimento toda a dor,

Das cinzas ressurgia nova vida,
Contigo… Tu voltaste, linda amiga,
Trazendo nova força ao nosso amor!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Sabina Sou

Pintura de Sabina Figueiredo

Sabina ….. sou

Deixai que o sentimento de mudança
Que vibra nas entranhas de meu ser
Transforme um lindo sonho de criança
Em telas transbordantes de prazer

Deixai-me ouvir a voz da esperança
Livrar-me das amarras, renascer
Num novo circuito de bonança
Liberta dos grilhões do meu viver

E ao raiar da aurora hei-de mostrar
Com traços de magia singular
O meu pintar tão cheio de ilusão

E em cada quadro irei a cada instante
Levar ao mundo aquela voz vibrante
Que faz pular tão forte o coração!

O meu azul

O meu azul
Poema de José Sepúlveda
Produção de Sara Lima


O meu azul

Vesti-me desse azul que vive em mim
E, quando despertei, tive o ensejo
De nesse azul de luz sentir, por fim,
Dentro de mim a cor de meu desejo

O meu azul celeste, multicor,
Aonde a luz, a cor e a poesia,
Na simbiose mística, indolor,
Me desse o seu dulçor, sua magia.

Passei a navegar num mar de luz
E nesse mar sem fim, fazendo jus
Ao meu azul celeste, sonho lindo…

E só então tomei a decisão
De no silêncio, abrir meu coração
Ao tom azul celeste, eterno, infindo!

José Sepúlveda

SONHO

Sonho
Eu quero ser Poeta, talvez louco,
Daqueles a quem nada satisfaz,
Eu quero nesta vida ser capaz
De desventrar as coisas, pouco a pouco.
Viver a vida, o sonho, a ilusão, 
Na efémera esperança de encontrar
Os trilhos desse incerto caminhar
Que há-de alimentar essa paixão.
Eu quero s er poeta sonhador,
Sentir o desvio que acarreta 
Ficar na dependência de uma pena,
Se, nesse anseio, em busca desse amor,
Concretizar o sonho e for poeta, 
A vida será sempre o meu poema!


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Encontro








Pintura de Kikas Luz

Encontro

Ouviste-me chamar… e de repente
Olhaste para a tela, tensa, fria…
Tentaste penetrar na minha mente
E descobrir porquês dessa ousadia…

Eu era o teu amado, à tua frente,
Que te sorria, cheio de euforia,,,
E via-me sorrindo de contente
À espera do carinho que eu queria

E, num momento intenso de ilusão,
Soprou no meu, no nosso coração,
O vento do amor e da ternura!

E ao ver te mergulhada nos meus braços
Deixei meus pensamentos vãos, devassos,

E amei-te ardentemente, com loucura!

Sonho

Pintura de Kika Luz
Sonho

As pétalas caiam uma a uma
No teu formoso peito, minha amada...
E deleitado frente ao mar de espuma,
Perdido nos teus braços, te beijava

Cruzamos nosso olhar em meio a bruma
Silenciosos... Alma apaixonada?
Não há na vida nada que consuma
O amor que o nosso peito alimentava

E ali permanecemos tempo infindo
Envoltos nesse enleio, construindo
O nosso amor profundo, a nossa mente...

Cruzámos nosso olhar e num momento
Ali fomos vencidos pelo tempo
Que se extinguiu veloz a nossa frente
… e despertei

""
Jose Sepulveda

domingo, 23 de novembro de 2014

O Confesso

O Confesso

Quando eu era ainda um pisco
Meus pecados fui levar
Junto do padre Francisco
Para Deus mos perdoar

E o simpático velhinho
Oculto numa casinha
Perguntou-me com carinho
Quais os pecados que eu tinha

E na minha ingenuidade
Retorqui: -  Senhor Abade,
Eu só disse merda e porra…

Ai meu filho, que heresias
Reza vinte Avé-Marias
Para que a vida te corra!


José Sepúlveda

Ámy


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Poeta

Ilustração: Pintura de Kika Luz

Poeta

Pegou numa palavras ocas, vãs,
Tiradas do seu antro de venturas…
Juntou-lhes coisas boas, coisas más
E polvilhou com frases bem maduras

E o sentimento livre que se faz
De coisas simples, quem sabe, inseguras
Partiu à descoberta, sem afãs,
De vivo colorido, imagens puras…

E de repente viu-se confrontado
Com mil palavras, num amontoado…
Poliu-as, burilou-as, deu-lhes brilho…

Deixou gritar bem alto o pensamento
Em plena liberdade… e num momento
Soltou seu grito: - Ó Deus, nasceu-me um filho!


José Sepúlveda

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Faísca, o Palhaço


Faísca, o Palhaço

Trinados mil se espalham pelo ar
E a multidão se agita na Ribeira
É a força do Faísca que ao chegar
Alegra toda a gente  a tarde inteira

Arrufos do tambor soam no alto
Da mágica da batuta do palhaço
E a pequenada grita em sobressalto
E sente-se feliz naquele abraço!

E o palhaço espalha em toda a parte
Fascínio e alegria, amor e arte,
E uma mensagem linda, pura, plena

E numa tarde mágica e feliz,
O rosto do palhaço a rir nos diz
Quão bom ter um sorriso como lema!

José  Sepúlveda

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Divulga Escritor, Revista m. 10


Na Serra

Pintura de Amy Dine

Na serra

Vagueio solitário pela  terra,
E cedo alcanço o vale dos perdidos
Silencio... tudo é calmo lá na serra...
E sento-me a ouvir os seus gemidos
                 
A águia no seu voo estonteante
Mergulha pela névoa matutina
E com olhar fugaz e penetrante
Perscruta o alimento, peregrina

Do seu covil a loba parda grita
Em estridente uivar e a turba aflita
Porfia o seu refugio com temor

E nesta intensa luta, prova a prova,
A vida se transforma, se renova,
Ditando as suas regras com rigor!

José Sepúlveda


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Jardim de Afectos


A Tela


São verdes os teus olhos cor de esperança,
São doces os teus lábios de rubi
Dourados teus cabelos de criança
Que afago quando estou ao pé de ti

E entrando nessa tela colorida
Que envolve o teu viver num mar de cor
Descubro como é bom viver a vida
Sorvendo em cada impulso um grande amor

No verde, no azul, no rubro intenso,
Encontro neste colorido imenso
Fulgor, volúpia, intenso o seu poder,

E ao mundo eu lanço um grito de alegria,
Tão cheio de prazer e fantasia
E então descubro como é bom viver!


José Sepúlveda

sábado, 1 de novembro de 2014

Respira comigo

Poema: José Sepúlveda
Pintura: Glória Costa
Respira comigo

Eu sinto o coração pulsar de amor
Num respirar profundo, envolto em ti,
É nessa tela de prazer e cor
O teu, o meu silêncio nos sorri.


E neste enleio pleno de fulgor,
Pulsando no teu peito, descobri
Que a vida é sentimento, luz e cor
Momento após momento, de per si.


Deixa abraçar teu coração imenso,
Olhar teu lindo rosto e, no silêncio,
Cantar a paz, o amor e a alegria…


E neste abraço puro e singular,
Olhar no céu estrelas e cantar
Um hino à vida, um hino à fantasia!


José Sepúlveda

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Madrinha dos Poetas


Madrinha dos Poetas

 à minha amiga Conceição Lima

Madrinha dos poetas, vem cantar
A melodia linda do teu peito
E a trovadores e vates alargar
O seu caminho às vezes tão estreito

Que possas nesse imenso caminhar
Concretizar seus sonhos e a teu jeito
Abrir as portas desse imenso mar 
Aonde se navega sem respeito

Rainha dos poetas, vem cantar, 
Estende o teu abraço e faz brilhar
A estrela que ilumina o seu caminho.

E quer seja poeta ou trovador,
Não deixes de afagar com muito amor
As aves que se aninham no teu ninho

José Sepulveda

domingo, 26 de outubro de 2014

Parabéns, Luís

Feliz Aniversário, Luís

Já vão quarenta anos... Nem parece
Que o tempo se passou com tanta pressa
O certo, é que o fervor da nossa prece
Gerou um belo fruto bem depressa

E agora que esta vida desvanece
E o tempo que passou já não regressa
Não peças a esse tempo que regresse
Que a cada instante a vida recomeça

E pensa no alvor da tua vida;
Que possas resguardar-te na corrida
E vivas os teus dias sem assombro

E mesmo que haja pedras no caminho,
Não quero que te encontres mais sozinho
Mas sintas minha mão sobre o teu ombro

José Sepúlveda