segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Manuela Bulcão

Manuela Bulcão

Medi teus passos… Vi-te caminhar
Airosa, sem receios, passo-a-passo,
Num sítio, noutro sítio, a versejar
Um dia e outro dia, sem cansaço…
E quando nessas noites de luar
Levavas tua alma a passear,
A hora se esvaía em teu abraço…

Bem hajas, doce lava de um vulcão!
Um dia hás-de sentir o coração
Levado nas torrentes do amor…
Com toda a viva força do tei peito
A fama grangearás sem preconceito
Olhando a vida sem qualquer temor!


                              José Sepúlveda

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Maçã que voa

Essa maçã…
          Ao meu amigo Arnaldo Macedo

Essa maçã que voa em liberdade
Cruzando terra e mar, o imenso céu,
Qual pária ou peregrina e que não sabe
O rumo do destino que escolheu…,

Que segue pela estrada da saudade
No tempo sem ter tempo, azul ou breu,
Persiste em exprimir a liberdade
Que prematuramente conheceu.

E nesse voo livre, tão fecundo,
Com luz e cor se abre para o mundo,
Nessa maçã sem mácula ou pecado.

E o eco que se estende p'las montanhas,
Desventra seu viver, suas entranhas,
Num longo e eterno grito apaixonado!


José Sepúlveda

Natal da Minha Aldeia


Natal na minha aldeia

Saudades dessa minha eterna aldeia
Perdida num recanto, lá no Minho...
A natureza as vezes nos premeia
Fazendo-nos lembrá-la  com carinho

Como era bom entrar,  a casa cheia,
A árvore, os enfeites de azevinho
E na lareira o fogo que se ateia
Pra dar maior conforto ao nosso ninho!

O pai Armando, alegre, dava o mote
E toda a pequenada ia a reboque
  Cantando com louvor ao Deus-Menino...

E quando a noite vinha, já sem luz,
Ansiosos esperámos Jesus
Co'as prendas para o nosso sapatinho!

José Sepúlveda



Deixa-me ouvir


Deixa-me ouvir

Deixa-me ouvir a tua voz suave,
Rasgar o céu em doce  melopeia,
Abrir teu coração para que grave
O mavioso som na lua cheia

Que o grito do silêncio não apague
O fogo intenso e forte que encandeia
Os nossos corações mas neles guarde
O brilho desse olhar que me incendeia

Quem sabe se ao raiar da nova aurora
A bruma e a tristeza vão embora
E todo o sofrimento que em ti vive

Se apaguem nessa  noite de luar,
E num abraço, puro e singular,
Tu possas, meu amor, sentir-te livre!


José Sepúlveda

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Fénix

Pintura de Kika Luz

Fénix


Perdi-me nos teus olhos…  E o destino
Teus olhos me levou p’ra o fim do mundo
E vagueei na terra, peregrino
Como se fora um pobre vagabundo

E todos os meus sonhos de menino
Se dissiparam nesse vale profundo.
Fiquei á vaguear só e sem tino
Buscando a luz num túnel sem ter fundo

E, quando em desespero, sem esp’rança,
Quis pôr um fim a esta má lembrança,
Lançando ao esquecimento toda a dor,

Das cinzas ressurgia nova vida,
Contigo… Tu voltaste, linda amiga,
Trazendo nova força ao nosso amor!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Sabina Sou

Pintura de Sabina Figueiredo

Sabina ….. sou

Deixai que o sentimento de mudança
Que vibra nas entranhas de meu ser
Transforme um lindo sonho de criança
Em telas transbordantes de prazer

Deixai-me ouvir a voz da esperança
Livrar-me das amarras, renascer
Num novo circuito de bonança
Liberta dos grilhões do meu viver

E ao raiar da aurora hei-de mostrar
Com traços de magia singular
O meu pintar tão cheio de ilusão

E em cada quadro irei a cada instante
Levar ao mundo aquela voz vibrante
Que faz pular tão forte o coração!

O meu azul

O meu azul
Poema de José Sepúlveda
Produção de Sara Lima


O meu azul

Vesti-me desse azul que vive em mim
E, quando despertei, tive o ensejo
De nesse azul de luz sentir, por fim,
Dentro de mim a cor de meu desejo

O meu azul celeste, multicor,
Aonde a luz, a cor e a poesia,
Na simbiose mística, indolor,
Me desse o seu dulçor, sua magia.

Passei a navegar num mar de luz
E nesse mar sem fim, fazendo jus
Ao meu azul celeste, sonho lindo…

E só então tomei a decisão
De no silêncio, abrir meu coração
Ao tom azul celeste, eterno, infindo!

José Sepúlveda

SONHO

Sonho
Eu quero ser Poeta, talvez louco,
Daqueles a quem nada satisfaz,
Eu quero nesta vida ser capaz
De desventrar as coisas, pouco a pouco.
Viver a vida, o sonho, a ilusão, 
Na efémera esperança de encontrar
Os trilhos desse incerto caminhar
Que há-de alimentar essa paixão.
Eu quero s er poeta sonhador,
Sentir o desvio que acarreta 
Ficar na dependência de uma pena,
Se, nesse anseio, em busca desse amor,
Concretizar o sonho e for poeta, 
A vida será sempre o meu poema!


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Encontro








Pintura de Kikas Luz

Encontro

Ouviste-me chamar… e de repente
Olhaste para a tela, tensa, fria…
Tentaste penetrar na minha mente
E descobrir porquês dessa ousadia…

Eu era o teu amado, à tua frente,
Que te sorria, cheio de euforia,,,
E via-me sorrindo de contente
À espera do carinho que eu queria

E, num momento intenso de ilusão,
Soprou no meu, no nosso coração,
O vento do amor e da ternura!

E ao ver te mergulhada nos meus braços
Deixei meus pensamentos vãos, devassos,

E amei-te ardentemente, com loucura!

Sonho

Pintura de Kika Luz
Sonho

As pétalas caiam uma a uma
No teu formoso peito, minha amada...
E deleitado frente ao mar de espuma,
Perdido nos teus braços, te beijava

Cruzamos nosso olhar em meio a bruma
Silenciosos... Alma apaixonada?
Não há na vida nada que consuma
O amor que o nosso peito alimentava

E ali permanecemos tempo infindo
Envoltos nesse enleio, construindo
O nosso amor profundo, a nossa mente...

Cruzámos nosso olhar e num momento
Ali fomos vencidos pelo tempo
Que se extinguiu veloz a nossa frente
… e despertei

""
Jose Sepulveda

domingo, 23 de novembro de 2014

O Confesso

O Confesso

Quando eu era ainda um pisco
Meus pecados fui levar
Junto do padre Francisco
Para Deus mos perdoar

E o simpático velhinho
Oculto numa casinha
Perguntou-me com carinho
Quais os pecados que eu tinha

E na minha ingenuidade
Retorqui: -  Senhor Abade,
Eu só disse merda e porra…

Ai meu filho, que heresias
Reza vinte Avé-Marias
Para que a vida te corra!


José Sepúlveda

Ámy


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Poeta

Ilustração: Pintura de Kika Luz

Poeta

Pegou numa palavras ocas, vãs,
Tiradas do seu antro de venturas…
Juntou-lhes coisas boas, coisas más
E polvilhou com frases bem maduras

E o sentimento livre que se faz
De coisas simples, quem sabe, inseguras
Partiu à descoberta, sem afãs,
De vivo colorido, imagens puras…

E de repente viu-se confrontado
Com mil palavras, num amontoado…
Poliu-as, burilou-as, deu-lhes brilho…

Deixou gritar bem alto o pensamento
Em plena liberdade… e num momento
Soltou seu grito: - Ó Deus, nasceu-me um filho!


José Sepúlveda

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Faísca, o Palhaço


Faísca, o Palhaço

Trinados mil se espalham pelo ar
E a multidão se agita na Ribeira
É a força do Faísca que ao chegar
Alegra toda a gente  a tarde inteira

Arrufos do tambor soam no alto
Da mágica da batuta do palhaço
E a pequenada grita em sobressalto
E sente-se feliz naquele abraço!

E o palhaço espalha em toda a parte
Fascínio e alegria, amor e arte,
E uma mensagem linda, pura, plena

E numa tarde mágica e feliz,
O rosto do palhaço a rir nos diz
Quão bom ter um sorriso como lema!

José  Sepúlveda

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Divulga Escritor, Revista m. 10


Na Serra

Pintura de Amy Dine

Na serra

Vagueio solitário pela  terra,
E cedo alcanço o vale dos perdidos
Silencio... tudo é calmo lá na serra...
E sento-me a ouvir os seus gemidos
                 
A águia no seu voo estonteante
Mergulha pela névoa matutina
E com olhar fugaz e penetrante
Perscruta o alimento, peregrina

Do seu covil a loba parda grita
Em estridente uivar e a turba aflita
Porfia o seu refugio com temor

E nesta intensa luta, prova a prova,
A vida se transforma, se renova,
Ditando as suas regras com rigor!

José Sepúlveda


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Jardim de Afectos


A Tela


São verdes os teus olhos cor de esperança,
São doces os teus lábios de rubi
Dourados teus cabelos de criança
Que afago quando estou ao pé de ti

E entrando nessa tela colorida
Que envolve o teu viver num mar de cor
Descubro como é bom viver a vida
Sorvendo em cada impulso um grande amor

No verde, no azul, no rubro intenso,
Encontro neste colorido imenso
Fulgor, volúpia, intenso o seu poder,

E ao mundo eu lanço um grito de alegria,
Tão cheio de prazer e fantasia
E então descubro como é bom viver!


José Sepúlveda

sábado, 1 de novembro de 2014

Respira comigo

Poema: José Sepúlveda
Pintura: Glória Costa
Respira comigo

Eu sinto o coração pulsar de amor
Num respirar profundo, envolto em ti,
É nessa tela de prazer e cor
O teu, o meu silêncio nos sorri.


E neste enleio pleno de fulgor,
Pulsando no teu peito, descobri
Que a vida é sentimento, luz e cor
Momento após momento, de per si.


Deixa abraçar teu coração imenso,
Olhar teu lindo rosto e, no silêncio,
Cantar a paz, o amor e a alegria…


E neste abraço puro e singular,
Olhar no céu estrelas e cantar
Um hino à vida, um hino à fantasia!


José Sepúlveda