quinta-feira, 1 de maio de 2014

Tempestade


Pintura interpretativa do poema, pela pintora Barbara Santos (Barreiro)

As cores da vida



Aquele Maio

Meu Maio, lindo Maio, que saudade
Eu sinto desse Maio doutras eras
Levávamos no peito uma verdade
Sonhada no passar das primaveras

O povo se espalhava p’la cidade
A partilhar seus sonhos e quimeras;
As mínguas dessa longa eternidade
De lutas, de fracassos e de esperas

A paz, o pão, saúde, habitação,
Trabalho, liberdade de expressão,
O fim da guerra! Forte, essa vontade!

Naquele Maio alegre e pueril
Ousámos reviver o nosso Abril

Gritando pela nossa liberdade

sexta-feira, 18 de abril de 2014

25 de Abril



Liberdade

Salgueiro Maia sai com seus soldados
De Santarém naquela noite escura
E pra Lisboa vão determinados
A por um fim a longa ditadura

Chaimites e panhards avariados
Chegaram junto ao Tejo e - que loucura -
O povo os recebeu com rubros cravos
De braço dado em toda essa aventura

E ouvia-se gritar: - O Povo Unido
Agora nunca mais será vencido!
- Abaixo a opressão. - Haja igualdade!

- Ponhamos fim à guerra colonial!
- A Pide pra Caxias, Tarrafal!
- Morte ao fascismo! - Viva a liberdade!

José Sepulveda





Manhã de Abril

Naquela noite de quimeras mil
Salgueiro Maia, em plena madrugada, 
Juntou os seus soldados na parada
E ousou falar-lhes desse novo Abril

E disse-lhes: - Que Estados encontramos
Por esse mundo além? Capilalismo,
Fascismo, Socialismo, Comunismo
E este estado triste a que chegámos

- A este estado vamos por um fim;
E todo o que quiser venha após mim
Até Lisboa nesta noite escura...

E logo Companhia a Companhia
Seguiu seu Comandante e nesse dia
Ousaram derrubar a Ditadura!

José Sepúlveda

Butterfly