quinta-feira, 9 de abril de 2015

Canção do mar


Canção do Mar
Sentado junto ao mar a namorar,
A segredar-lhe versos bem baixinho
Tentando nos meus versos recordar
O teu imenso amor, o teu carinho.
E lanço-me na areia e ao caminhar
Contigo em meu olhar, sigo sozinho
Pisando neste enlevo do meu mar
Pegadas que deixaste no caminho.
Ó Ninfa, meu amor, vem me abraçar,
Eu quero nos teus braços embalar
O sonho deste amor em que me inspiro.
E quando nos teus braços me enlaçar,
Num longo abraço havemos de encontrar
A essência desse amor que em ti respiro.
José Sepúlveda

Revolta


Revolta 
Caminho pela estrada co'a ressaca
No meio desta praga que surgiu
Privado dessa bucha ja tao parca
Que um bando de gatunos me extorquiu
O povo grita com sua alma farta
De coisas das mais reles que ja viu
Ladrões! Que vao pró raio que os parta,
Perdoe a pobre madre que os pariu
Às armas, portugueses, nobre gente
Sigamos mao na mao todos em frente
Cortando essas algemas e grilhões
E ao renasceu das brumas da memoria
Nós vamos recontar a nossa historia
Libertos dessa corja de ladrões
José Sepúlveda
Pintura: Revolta, de Bárbara Santos

Cortesia


Pintores Adiasmachado, Adriana Henriques e Arnaldo Macedo
Estes amigos são assim :) 

Vida


Vida
A vida é sofrimento, é alegria,
É lágrima, é sorriso, é ilusão,
A vida é guerra, é paz, é fantasia,
É sombra, é sol, é luz, escuridão
A vida é cruz, é virgo, é dor, é cria,
É carne, é tronco, é mar, imensidão,
A vida é frustração, paralisia,
É crença, é lar, é amor, é uma canção
A vida é loa, é mito, é noite, é dia,
É fé, é sede, é fonte, é fome, é pão,
É lentidão, coragem, agonia.
A vida é roda imensa que nos guia,
É sonho, é despertar, é uma paixão
Aonde o nosso corpo rodopia
Jose Sepulveda
Pintura de Bárbara Santos

Armindo Gil

Mensagem de aniversário


Fragmento

Um carinho da Adriana pelo meu aniversário


Poema de Sol Figueiredo

PARABÉNS, JOSÉ SEPÚLVEDA!
J á disse a ti, meu amigo além mar,
O quanto és tão especial pra mim?
S ou a amiga que tanto o adora sim,
É s tudo de bom da vida, o sonhar!...
S e só o amor é feito de amizade,
E sperança de um dia ao te encontrar,
P aira no ar deste teu lindo Solar...
U m doce és tu, carinho, vem saudade!...
L eve és como uma tão suave brisa,
V ai e vem, logo, o vento já me avisa,
E sorris em mim: - Quão doce a cantar!
D a resposta em ternura, então eu falo:
A poesia há em ti e não me calo:
- É feita na harmonia e pra encantar!
Acróstico para meu amigo José Sepúlveda, grande poeta e parceiro. Muitas felicidades e muitos sucessos sempre!!
© SOL Figueiredo

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Abraço

Abraço

Deixa-me ficar contigo, amor,
enlaçar-me no teu peito
e adormecer , sorrindo,
sem tempo nem espaço...
e me deleito
sentindo o teu calor,
o teu abraço,
eterno,
infindo...
Deixa dissolver-me 
em teu regaço
e esvair-me no teu corpo lindo,
sorrindo,
sem cansaço!!!

José Sepúlveda24/11 ·

Vem, de Amy Dine


Esperança

Esperança

Fecham se as portas 
Dum labirinto
Que ha trevas mortas
Nesse recinto
Trabalho mouro
Que triste sina
Aves de agouro
E de rapina
Portas coelhos
Todos pra rua
Novos e velhos
Coutada sua
Na assembleia
Tigres leões
A casa cheia
Mas de ladroes
Com que desmando
A reles gente
Vive roubando
Impunemente
Fecha essa lura
Ó vil Coelho
Ja nao tens cura
'Stas podre e velho
Lobos à solta
A ocasião
Pra dar a volta
À situação
Que um ano novo
Pleno de esperança
Traga a este povo
Paz e bonança


José Sepúlveda

O Voo da Águia


O voo da águia

À sombra dum pinhal, com minha amada,
Um dia me encontrei pela tardinha
E nessa tarde amena recatada
Quis por a toda a prova a vida minha

Ouviam-se ruidos lá na estrada
E gente curiosa se avizinha,
Mas ela olhou pra mim determinada,
E abraçou-me até dobrar a espinha

Passámos bons momentos de prazer;
Depois, mostrando raça da mulher,
A águia ousou voar no descampado

Qual Fénix, libertou-se das amarras,
Lançou sobre meu corpo as suas garras
E ali compôs comigo um outro fado!

José Sepulveda

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Lucy Bream


Lucy Bream

Lançaste numa tela imensa e fria
Um manancial de cor, cian e green...
Com qual perícia, viste que pedia,
Yellow ... E assinaste Lucy  Bream...

Brilhante! Vi na tela o teu semblante
Rejubilante. cheio de alegria...
E, então, sonhei  que vi naquele instante
A Deusa da Floresta, eterna, amante,
Moldada entre o verdor e a fantasia!


José Sepúlveda

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Teresa Almeida


Teresa Almeida

Trago no peito o brilho desse olhar
E o teu sorriso lindo que, a cantar,
Repousa em meu olhar com alegria!
E sinto aqui tão perto o teu carinho
Sabendo que te encontras num cantinho
Aonde abunda paz e harmonia!

Ao longe, oiço cantar o Mirandês;
Leio e releio versos com fervor,
Mastigo cada qual na sua vez
E deixo-me enlevar no seu calor…
Iluminado por teu doce olhar,
Desejo em cada verso desfrutar

A luz do teu sereno e puro amor, 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Adriana Henriques


Adriana Henriques

Ai quem me dera abrir teu pensamento,
Deixar-me navegar num mar sem fundo,
Roubar-te o sol e nesse espaço-tempo
Incendiar teu peito tão fecundo…
Ai quem me dera, princesinha bela,
Nadar em cor, entrar nessa aguarela,
Alinhavando as rendas do teu mundo!

Há nessa tela um filho a irromper,
Enaltecendo a força que há em ti,
No teu olhar profundo de mulher
Resguardas o amor que existe em si…
Imensidão e sede de infinito
Que imerge em profusão em luz e cor,
Um filho a ser parido em tom aflito,
Envolto em extasia e no seu grito
Servindo a causa eterna do amor!

José Sepúlveda

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Subida ao Tronco


A subida ao tronco é uma tradição antiga dos poveiros.
No dia 8 de Dezembro, junto à fortaleza de N. Sr.a da Conceição, ergue-se um troco besuntado, no cimo do qual se coloca um bacalhau (às vazes acompanhado por uma garrafa de vinho do Porto).
Um ou mais corajosos vão assim tentar a sua sorte, trepar ao poste e levar para casa o bacalhau para a consoada. Bacalhau suado, sem dúvida.

Subida ao tronco

O tronco estava negro e encebado...
Mas, com um saco cheio de serrim,
Tentavas com teu ar determinado
Subi-lo ponta a ponta, até ao fim

No cimo, um bacalhau bem amarrado
E tu, olhando, olhando, ao vê-lo assim,
Pensavas com teu ar bem humorado:
- Aquele bacalhau vai ser pra mim

E eis que chega a hora da subida...
Então, sem dar tréguas nem guarida,
Te lanças com força, sem temor!

Contra a razão da força, com vontade,
Lutando contra a própria liberdade,
Tu mostras para todos teu valor!


José Sepúlveda

Conceição Lima


Conceição Lima

Com faz bem estar à tua frente,
Ouvir tudo o que tens pra nos dizer
Naquele tom de voz eloquente
Com que nos brindas sempre com prazer!
E nesse teu estar perante a gente,
I maginando um novo alvorecer,
Conspiras p’ra roubar num só momento
Ao tempo que te foge como o vento
Os versos que nos tarzes p’ra dizer!
 
Levanta-te, poeta, aonde fores
Intenta ser na selva vâ, medonha
Madrinha de poetas, de escritores,
A terna mão amiga de quem sonha!


José Sepúlveda

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Sabina sou

Pintura de Sabina Figueiredo

Sabina ….. sou

Deixai que o sentimento de mudança
Que vibra nas entranhas de meu ser
Transforme um lindo sonho de criança
Em telas transbordantes de prazer

Deixai-me ouvir a voz da esperança
Livrar-me das amarras, renascer
Num novo circuito de bonança
Liberta dos grilhões do meu viver

E ao raiar da aurora hei-de mostrar
Com traços de magia singular
O meu pintar tão cheio de ilusão

E em cada quadro irei a cada instante
Levar ao mundo aquela voz vibrante
Que faz pular tão forte o coração!


José Sepúlveda.

Meu barco

Pintura de Adiasmachado

Meu barco

Navego peregrino pela vida
Nas ondas mais revoltas deste mar,
O medo e a incerteza dão guarida
Ao meu estranho e incerto navegar.

E nesta senda louca, vã, perdida,
Por entre a multidão, fico a remar
Tentando ver ao longe uma saída
Que não consigo nunca vislumbrar.

Os magos e os duendes serpenteiam
Por essa embarcação e lá semeiam
Mentiras e promessas sem ter fim...

E nesse turbilhão imenso, agreste,
Agarro no meu remo e entrego ao Mestre
Que me sorri e diz: - Confia em mim!


José Sepúlveda