quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Sorriso


Sorri
Sorri, amor, eu quero o teu sorriso,
Sorri quanto estiver no teu regaço
E nesse olhar sereno e tão preciso
Me perderei com teu imenso abraço
Sorri, o teu sorriso brando, lindo,
Não deixa de me dar paz e alegria
O teu sorriso, amor, perene, infindo,
É meu deleite, gozo e harmonia
Sorri para meus olhos e acredita
Que se este meu olhar te chama e grita
É por te ver sorrir com tal candor
Por isso, minha amada, sorri sempre
E ter me as no teu olhar presente
Num longo e terno abraço, meu amor
José Sepulveda

Guida Esteves


Blonde, a cantora

Blonde, a cantora,
(Imitando Camões in: Raquel a pastora)
Três anos a trovar Jofar seguia
O coração de Blonde, linda e bela
Não era o coração, seria a ela
Que o jovem trovador almejaria
É um dia na esperança de outro dia
Olhava-a, contentando-se com vê-la.
Porém, Avaro, usando de cautela
Com sua voz suave lhe fugia
E ao ver-se assim, frustrado por enganos,
E a sonhar com sua sedutora,
A tão formosa Blonde, sua querida,
Lá foi seguindo o sonho além dos anos
Dizendo: mais seguira se não fora
Tão célere, perene e curta a vida!
José Sepúlveda (decalcando Camões)

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Querubim

Querubim
Se um dia despertar e não te vir,
Nao te encontrar feliz na minha frente,
Se não te vir sonhar, te vir sorrir,
Então, amor, morri, parti pra sempre!
Tu és o meu farol, a minha vida,
O coração que bate sem parar,
Sem ti não sei viver, minha querida
Não tenho inspiração pra versejar.
Fica comigo, amor, fica comigo,
Viver sem ti não faz qualquer sentido,
Dá-me teu peito aberto em frenesim.
E quando tu me deres o teu abraço
Viajarei sem tempo e sem cansaço
No teu abraço imenso, querubim!
José Sepúlveda

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Gonçalo e o Burro

Gonçalo e o burro
Gonçalo era ajudante de padeiro
E andava de carroça co' o burrico
Com pão da padaria do Ribeiro
P'ró povo lá da aldeia. O mafarrico...
O mafarrico, sim, que o trapaceiro,
Se o burro se quedava, dava um grito,
Pegava no seu pau de marmeleiro
E enfiava-o no cu do animalzito...
E o pobre burro urrava, escoiceava,
E toda aquela gente criticava
A falta de princípios, gesto imundo...
Depois, chicote em riste, lá seguia
E feito burro, alegre, lhe batia
Altivo no seu trono vagabundo!
José Sepúlveda

Carla Valente


Tina Matos


Gostei de ti


Abraço


Rouxinol

Rouxinol
O rouxinol cantava noite e dia
Lá longe aonde o sol se põe no mar
E quando o sol, cansado, adormecia
O rouxinol cantava a bom cantar.
Sentia a perfumada maresia
E as ondas num constante labutar
E no silêncio ouvia e transmitia
As lindas sinfonias ao luar.
E ouvia e embebedou-se nessa orgia
Tão cheia de pureza, de harmonia,
Que aos poucos devolvia o que era seu.
E assim ficou por toda a madrugada
Até que com a alma embriagada
Na plácida manhã adormeceu!
José Sepúlveda

José Luís Correia (Sepúlveda)


Cristina Fernandes


Maria Sousa


Romy Macedo


Manuela Matos


Fatima Veloso


Dom Baco


Dom Baco
 
Cresce a parra, nasce a uva
Pinta o bago devagar
Vem o sol e vem a chuva
Para boa uva pintar
 
(Coro)
Saia um copo, venha outro
E mais outro devagar
Nao te importes, ficas louco
Tu és louco se calhar
 
Vinhateiro, vem depressa
Monda os cachos com cuidado
E fiquemos co'a promessa
Da colheita de bom bago
 
Venham todos colher uva
Transportá-la p'ró lagar
E quer faça sol ou chuva
A uva é pra apanhar
 
Pisa a uva pisa pisa
Nesse intenso labutar
Solta a fralda da camisa
Não vás a coisa molhar
 
Vinho doce, vinho bom
Que nos eleva às alturas
Tragam-nos toucinho e pão
Que as uvas estão maduras
 
Salta o vinho pró caneco
Vermelhinho, com sabor
Sai docinho, vai direto
Prá boca do meu amor
 Canta, canta, nobre gente
Que alegria esfuziante
Tudo é feliz e contente
Bebamos em cada instante
 
Escorrega devagar
Vejam bem que a vida é bela
Não se importem se calhar
De apanhar  uma piela
 
Fico alegre, não me sinto,
Com temor ou com receio
Ja nem sei se é branco ou tinto
Que se lixe, venha cheio
 
Só quando raiar a aurora
Deixamos este buraco
Festejemos esta hora
De Dionísio, ou de Baco

Deserto


Deserto
Perdido na multidão,
Piso a areia do deserto
Numa triste solidão
Porque não ando aqui perto
Cambaleio, vou seguindo
Mitigando a sede, a fome,
Minhas forças se esvaindo
Na chaga que me consome
Os abrutes e os chacais
Vagueiam ao meu redor
Contam os passos fatais
Que acabem com tanta dor
É meu sonho de criança
Ver o oásis peregrino
Que me alimente a esperança
De chegar ao meu destino
Meu caminho hei-de seguir
Com a firme decisão
Que qualquer dia o porvir
Venha abrir meu coração
José Sepúlveda

Poemas


Academia Nacional de Letras do Portal do Poeta Brasileiro


Obrigado pelo carinho