sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Vamos ver o mar
Vamos ver o mar
Ó! Vamos ver o mar, meu amorzinho?
Iremos de mãos dadas pela areia
A partilhar amor, muito carinho,
Deixar-nos enlevar na maré cheia
Iremos de mãos dadas pela areia
A partilhar amor, muito carinho,
Deixar-nos enlevar na maré cheia
Gravamos nossos passos no caminho
E ouvimos lá no mar a melopeia
Das ondas que sussurram bem baixinho
E deixam nossa alma cheia, cheia
E ouvimos lá no mar a melopeia
Das ondas que sussurram bem baixinho
E deixam nossa alma cheia, cheia
E quando uma gaivota esvoaçar
E no seu canto tão peculiar
Cantar a melodia do amor
E no seu canto tão peculiar
Cantar a melodia do amor
Eu hei-de sussurrar no teu ouvido
O grande amor aqui por nós sentido,
Vivido neste mar de tanta cor
O grande amor aqui por nós sentido,
Vivido neste mar de tanta cor
José Sepulveda
Não chores
Não chores
Não chores, meu amor, não vês que um dia
Nós vamos caminhar na eternidade
Por verdejantes prados e a alegria
Vai ser para nós feliz realidade?
Nós vamos caminhar na eternidade
Por verdejantes prados e a alegria
Vai ser para nós feliz realidade?
Não vês que o sol que brilha no horizonte
Nos vai iluminar e dar alento
E as águas vão jorrar em cada fonte
Tão frescas, cristalinas, todo o tempo?
Nos vai iluminar e dar alento
E as águas vão jorrar em cada fonte
Tão frescas, cristalinas, todo o tempo?
Não vês, amor, que as aves vão cantar
De manhãzinha, enquanto o sol brilhar,
Trinados mil tão cheios de beleza?
De manhãzinha, enquanto o sol brilhar,
Trinados mil tão cheios de beleza?
Não chores, meu amor, declina o sol,
Mas logo de manhã, ao arrebol,
O sol virá beijar-nos, com certeza!
Mas logo de manhã, ao arrebol,
O sol virá beijar-nos, com certeza!
José Sepúlveda
Papoula
Papoula
Fui-te encontrar tão pura, tão brilhante,
Esvoaçando ao sol, ao frio, ao vento,
Num prado avermelhado, verdejante,
Inspiração do nosso pensamento!
Esvoaçando ao sol, ao frio, ao vento,
Num prado avermelhado, verdejante,
Inspiração do nosso pensamento!
Papoula linda, és em cada instante
Fragilidade, cor e sentimento,
Caricia aveludada e elegante,
Em pétalas levada num momento
Fragilidade, cor e sentimento,
Caricia aveludada e elegante,
Em pétalas levada num momento
Delicadeza e luz, quanta beleza,
Na tua concepção! Tenho a certeza
Que quando já nas mãos do Criador
Na tua concepção! Tenho a certeza
Que quando já nas mãos do Criador
Ele te olhou com seu tão meigo olhar,
Beijou-te com amor e que ao soprar
Sorriu quando te viu voar no amor!
Beijou-te com amor e que ao soprar
Sorriu quando te viu voar no amor!
José Sepulveda
Momento
Momento
Encosta a tua face no meu ombro
E deixa que o silêncio, sem assombro,
Transmita o que ele tem pra nos dizer
E deixa que o silêncio, sem assombro,
Transmita o que ele tem pra nos dizer
Olhemos um pro outro apaixonados
Despidos de pudores, mergulhados
Em horas e minutos de prazer
Despidos de pudores, mergulhados
Em horas e minutos de prazer
E, quando despertarmos, nosso olhar
Possa gritar silente e se calhar
Cantar o que nos vai no coração
Possa gritar silente e se calhar
Cantar o que nos vai no coração
E envoltos nesse amor tão puro e doce
Amemo-nos assim como se fosse
Um cândido sentir desta paixão
Amemo-nos assim como se fosse
Um cândido sentir desta paixão
Jose Sepúlveda
A Gazelinha
A gazelinha
Havia uma gazela que vivia
E vagueava entre os pinheirais
E quando algum perigo pressentia
Corria e não se via nunca mais
E vagueava entre os pinheirais
E quando algum perigo pressentia
Corria e não se via nunca mais
Saltava e espreitava. E todo o dia
Andava espavorida entre animais
E era vê-la em louca correria
Brincando e saltitando entre os pardais
Andava espavorida entre animais
E era vê-la em louca correria
Brincando e saltitando entre os pardais
Mas numa tarde a pobre, de repente,
Ouviu ruídos e ao pressentir gente
A frágil gazelinha teme e chora
Ouviu ruídos e ao pressentir gente
A frágil gazelinha teme e chora
E numa moita densa, oculta, atenta,
Vigia o predador que em tenta, tenta
Segui-la . Depois, desiste e vai-se embora!
Vigia o predador que em tenta, tenta
Segui-la . Depois, desiste e vai-se embora!
Jose Sepúlveda
Poemas
Poemas
Poemas são nossas vidas
E a de muitos animals
Poemas são vendavais
E arvores ressequidas
E a de muitos animals
Poemas são vendavais
E arvores ressequidas
Sao flores transformadas
Em pétalas no jardim
Bem cheirosas , perfumadas,
Rosas, tulipas, jasmim
Em pétalas no jardim
Bem cheirosas , perfumadas,
Rosas, tulipas, jasmim
Poemas são mil carinhos,
Mil abraços, mil beijinhos
Cantados por leve pena
Mil abraços, mil beijinhos
Cantados por leve pena
Poemas são mil ternuras
Que me dão as mãos tão puras
Do meu mais lindo poema
Que me dão as mãos tão puras
Do meu mais lindo poema
José Sepúlveda
Chiiiiuuuuu
Chhhiiiuuuuuuu ( A língua )
A dita e a desdita estão presentes
Na forma de exprimir o que se pensa,
Transforma e manipula as nossas mentes
E grita e silencia a dor intensa.
Espada de dois gumes! Não intentes
Confrontos desiguais; estrada imensa
Com obstáculos mil, ranger de dentes,
E mágoas, quer se perca quer se vença.
Põe freio nas palavras, não te iludas:
Ás vezes soam falsas como Judas
E trazem até nós grande penar;
P'la boca morre o peixe, diz a gente!
Não queiras ser tragado, sê diferente
E marca essa diferença no falar
Beijinho-de-amor
Beijinho-de-amor
Caminho debruçado sobre a areia
Na esp'rança de encontrar beijos-de-amor
E vejo com surpresa a praia cheia
De conchas e conchinhas - quanta cor!
Na esp'rança de encontrar beijos-de-amor
E vejo com surpresa a praia cheia
De conchas e conchinhas - quanta cor!
Ao longe, a terna e doce melopeia
Do mar beijando a areia com dulçor
Ao som do suave canto de sereia
Quiça, no imenso mar, seja onde for.
Do mar beijando a areia com dulçor
Ao som do suave canto de sereia
Quiça, no imenso mar, seja onde for.
E a voz do vento sopra-me baixinho
Um grito de silêncio... E o teu carinho
Me segue nessa imensa caminhada.
Um grito de silêncio... E o teu carinho
Me segue nessa imensa caminhada.
E só então, amor, me apercebi
Dos lábios teus e deles recebi
O beijo que minha alma procurava!
Dos lábios teus e deles recebi
O beijo que minha alma procurava!
José Sepúlveda
Teia da vida
Preso na teia da vida
Sem guarida, sem sentido,
É na teia mal urdida
Que encontro um ponto de abrigo
Sem guarida, sem sentido,
É na teia mal urdida
Que encontro um ponto de abrigo
(Sep)
(Foto de Júlio Aires)
(Foto de Júlio Aires)
Loucura
Lavam-se as mágoas com tempo,
As tristezas com ternura
Mas nada lava o momento
Em que o tempo é de loucura
As tristezas com ternura
Mas nada lava o momento
Em que o tempo é de loucura
Louco sou quando é mais bela
A vida que em mim nasceu
Pois pinto minha aguarela
Nesse cantinho que é meu
A vida que em mim nasceu
Pois pinto minha aguarela
Nesse cantinho que é meu
José Sepúlveda
Tristeza
Tristeza
Meu Deus, porque verter gotas de sangue
Ao ver dilacerado o coração?
Porque fenece assim meu corpo exangue
Perdido no palácio da ilusao?
Ao ver dilacerado o coração?
Porque fenece assim meu corpo exangue
Perdido no palácio da ilusao?
Porque padecem corpo e mente em dor
Se nos caminhos tristes desta vida
Em qualquer parte e seja aonde for
Eu vivo uma esperança adormecida?
Se nos caminhos tristes desta vida
Em qualquer parte e seja aonde for
Eu vivo uma esperança adormecida?
Lava meu corpo, ó Deus, rasga os tecidos
Deste esqueleto imundo, o sofrimento
Dum mau viver-morrer que paira em mim
Deste esqueleto imundo, o sofrimento
Dum mau viver-morrer que paira em mim
E deixa me voltar aos tempos idos
E renovar em mim cada momento
E nunca, nunca mais sofrer assim!
E renovar em mim cada momento
E nunca, nunca mais sofrer assim!
José Sepulveda
Regresso de férias
Regresso de férias
Um calmo despertar neste domingo
Em que o Algarve deixo pra voltar
E neste meu regresso vou seguindo
Para o conforto doce do meu lar
Em que o Algarve deixo pra voltar
E neste meu regresso vou seguindo
Para o conforto doce do meu lar
O sol desponta... Pois que seja lindo
E possa em segurança viajar
Num caminhar seguro, longo infindo
E em nossa casa a paz reencontrar
E possa em segurança viajar
Num caminhar seguro, longo infindo
E em nossa casa a paz reencontrar
Ó, como é bom espairecer uns dias
E seja com precalços, alegrias,
Mudar um pouco o rumo desta vida
E seja com precalços, alegrias,
Mudar um pouco o rumo desta vida
E um lenitivo assim vou encontrando
Ao viajar em paz de quando em quando
Tornando a nossa vida mais florida
Ao viajar em paz de quando em quando
Tornando a nossa vida mais florida
Jose Sepúlveda
A Borboleta
A borboleta
No seu casulo escuro e tão fechado
A larvazita um dia apareceu
E foi permanecendo o tempo achado
Suficiente... E por ali cresceu.
A larvazita um dia apareceu
E foi permanecendo o tempo achado
Suficiente... E por ali cresceu.
E o tempo se passava e eis-senão-quando
No informe corpo algo aconteceu
E um par de asitas nasce com desmando
E a borboleta linda apareceu
No informe corpo algo aconteceu
E um par de asitas nasce com desmando
E a borboleta linda apareceu
E lentamente se desenvolvia
Num tempo sem ter tempo. Até que um dia
Do seu casulo escuro se fartou...
Num tempo sem ter tempo. Até que um dia
Do seu casulo escuro se fartou...
Deixou essa prisão e de repente
Abriu as suas asas e, imponente,
Lançou-se ao vento... e pelo céu voou !...
Abriu as suas asas e, imponente,
Lançou-se ao vento... e pelo céu voou !...
José Sepúlveda
Tunel
Tunel
No túnel do infinito
Quando alço a minha voz
Ouve-se o eco de um grito
Lancinante, aflito, atroz!
(Sep)
Foto de Julio Aires
No túnel do infinito
Quando alço a minha voz
Ouve-se o eco de um grito
Lancinante, aflito, atroz!
(Sep)
Foto de Julio Aires
Silêncio
No silêncio me resguardo
Procurando no escuro
Libertar-me deste fardo
Que albardo num corpo impuro
(Sep)
Foto de Julio Aires
Desvarios
Desvarios
Responder aos desafios
Que nos fazem casa dia
Nos provoca desvarios
Outras vezes alegrias
Que nos fazem casa dia
Nos provoca desvarios
Outras vezes alegrias
Já minha avó me dizia,
Senhora do seu nariz,
Que o escrever poesia
Não é coisa de aprendiz
Senhora do seu nariz,
Que o escrever poesia
Não é coisa de aprendiz
Aqui vão versos vádios
Em resposta aos desafios
Que me lançaram pró ar
Em resposta aos desafios
Que me lançaram pró ar
Ainda passo por poeta
Porque está vida indiscreta
Nos anda sempre a tramar
Porque está vida indiscreta
Nos anda sempre a tramar
José Sepúlveda
Catraia
Catraia
A tua pata branca, essa leveza
'Stendida se lambias minha mão
Guardava para si dor e tristeza
Oculta num sofrido coração
'Stendida se lambias minha mão
Guardava para si dor e tristeza
Oculta num sofrido coração
Não sei porquê mas eu tinha a certeza
Que nesse poço lindo de afeição
Tentavas-nos mostrar quanta beleza
Guardavas ante a dor e a aflição
Que nesse poço lindo de afeição
Tentavas-nos mostrar quanta beleza
Guardavas ante a dor e a aflição
A lazarenta pele, feridas mil,
Corriam-te no corpo e em teu perfil,
A fé num permanente renascer
Corriam-te no corpo e em teu perfil,
A fé num permanente renascer
E eis que o coração não mais resiste
E foi nesse momento em que partiste
Que, triste, eu vi quão fútil é viver!
E foi nesse momento em que partiste
Que, triste, eu vi quão fútil é viver!
José Sepúlveda
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