sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Natura


Natura
Caminho na natureza
No meu lento caminhar
Descubro toda a beleza
Que a natura me quer dar
Maça de cuco, alecrim,
Erva azeda e açafrão,
Pêra de zimbro, azevim
E até dente de leão
Urtiga brava e amora
Rosas de toucar além,
Girassol que segue a hora
Em que o seu sol vai e vem
Centeio, trigo, cevada,
Nabiça, couve galega,
Uva doce avermelhada
Que nos torna a mente cega
Maça branca, vermelhinha,
Pera rocha, boa ameixa,
Diospiro, fruta fina,
Mas a gente não se queixa
Geribéria, cravo, rosa,
O malmequer espalhado
Lírio roxo e mariposa
Voando por todo o lado
Num passeio campesinho
Cheio de cor e magia
Eu me sinto um peregrino
Cheio de paz e alegria
Persigo-te face a face
Quando caminho ao sol-por
E a vida nasce, renasce
Nos teus olhos, meu amor
José Sepulveda

Sorri

Sorri
Sorri, amor, eu quero o teu sorriso,
Sorri quanto estiver no teu regaço
E nesse olhar sereno e tão preciso
Me perderei com teu imenso abraço
Sorri, o teu sorriso brando, lindo,
Não deixa de me dar paz e alegria
O teu sorriso, amor, perene, infindo,
É meu deleite, gozo e harmonia
Sorri para meus olhos e acredita
Que se este meu olhar te chama e grita
É por te ver sorrir com tal candor
Por isso, minha amada, sorri sempre
E ter me as no teu olhar presente
Num longo e terno abraço, meu amor
José Sepulveda

Blonde


Blonde, a cantora,
(Imitando Camões in: Raquel a pastora)
Três anos a trovar Jofar seguia
O coração de Blonde, linda e bela
Não era o coração, seria a ela
Que o jovem trovador almejaria
É um dia na esperança de outro dia
Olhava-a, contentando-se com vê-la.
Porém, Avaro, usando de cautela
Com sua voz suave lhe fugia
E ao ver-se assim, frustrado por enganos,
E a sonhar com sua sedutora,
A tão formosa Blonde, sua querida,
Lá foi seguindo o sonho além dos anos
Dizendo: mais seguira se não fora
Tão célere, perene e curta a vida!
José Sepúlveda (decalcando Camões)

Guida Esteves


Vamos ver o mar


Vamos ver o mar
Ó! Vamos ver o mar, meu amorzinho?
Iremos de mãos dadas pela areia
A partilhar amor, muito carinho,
Deixar-nos enlevar na maré cheia
Gravamos nossos passos no caminho
E ouvimos lá no mar a melopeia
Das ondas que sussurram bem baixinho
E deixam nossa alma cheia, cheia
E quando uma gaivota esvoaçar
E no seu canto tão peculiar
Cantar a melodia do amor
Eu hei-de sussurrar no teu ouvido
O grande amor aqui por nós sentido,
Vivido neste mar de tanta cor
José Sepulveda


Não chores



Não chores
Não chores, meu amor, não vês que um dia
Nós vamos caminhar na eternidade
Por verdejantes prados e a alegria
Vai ser para nós feliz realidade?
Não vês que o sol que brilha no horizonte
Nos vai iluminar e dar alento
E as águas vão jorrar em cada fonte
Tão frescas, cristalinas, todo o tempo?
Não vês, amor, que as aves vão cantar
De manhãzinha, enquanto o sol brilhar,
Trinados mil tão cheios de beleza?
Não chores, meu amor, declina o sol,
Mas logo de manhã, ao arrebol,
O sol virá beijar-nos, com certeza!
José Sepúlveda

Papoula


Papoula
Fui-te encontrar tão pura, tão brilhante,
Esvoaçando ao sol, ao frio, ao vento,
Num prado avermelhado, verdejante,
Inspiração do nosso pensamento!
Papoula linda, és em cada instante
Fragilidade, cor e sentimento,
Caricia aveludada e elegante,
Em pétalas levada num momento
Delicadeza e luz, quanta beleza,
Na tua concepção! Tenho a certeza
Que quando já nas mãos do Criador
Ele te olhou com seu tão meigo olhar,
Beijou-te com amor e que ao soprar
Sorriu quando te viu voar no amor!
José Sepulveda

Momento


Momento
Encosta a tua face no meu ombro
E deixa que o silêncio, sem assombro,
Transmita o que ele tem pra nos dizer
Olhemos um pro outro apaixonados
Despidos de pudores, mergulhados
Em horas e minutos de prazer
E, quando despertarmos, nosso olhar
Possa gritar silente e se calhar
Cantar o que nos vai no coração
E envoltos nesse amor tão puro e doce
Amemo-nos assim como se fosse
Um cândido sentir desta paixão
Jose Sepúlveda

A Gazelinha


A gazelinha
Havia uma gazela que vivia
E vagueava entre os pinheirais
E quando algum perigo pressentia
Corria e não se via nunca mais
Saltava e espreitava. E todo o dia
Andava espavorida entre animais
E era vê-la em louca correria
Brincando e saltitando entre os pardais
Mas numa tarde a pobre, de repente,
Ouviu ruídos e ao pressentir gente
A frágil gazelinha teme e chora
E numa moita densa, oculta, atenta,
Vigia o predador que em tenta, tenta
Segui-la . Depois, desiste e vai-se embora!
Jose Sepúlveda

Impulsos


Se mesmo os nossos cabelos
São motivo de atenção
Porque não o são os belos
Impulsos do coração?
Sep.

Poemas


Poemas
Poemas são nossas vidas
E a de muitos animals
Poemas são vendavais
E arvores ressequidas
Sao flores transformadas
Em pétalas no jardim
Bem cheirosas , perfumadas,
Rosas, tulipas, jasmim
Poemas são mil carinhos,
Mil abraços, mil beijinhos
Cantados por leve pena
Poemas são mil ternuras
Que me dão as mãos tão puras
Do meu mais lindo poema
José Sepúlveda

Aposentado


Ao abrir minha janela
Pra respirar um bocado
Entrei na boa-vai-ela
Fiquei solto, aposentado!


Chiiiiuuuuu


Chhhiiiuuuuuuu ( A língua )

A dita e a desdita estão presentes
Na forma de exprimir o que se pensa,
Transforma e manipula as nossas mentes
E grita e silencia a dor intensa.

Espada de dois gumes! Não intentes
Confrontos desiguais; estrada imensa
Com obstáculos mil, ranger de dentes,
E mágoas, quer se perca quer se vença.

Põe freio nas palavras, não te iludas:
Ás vezes soam falsas como Judas
E trazem até nós grande penar;

P'la boca morre o peixe, diz a gente!
Não queiras ser tragado, sê diferente
E marca essa diferença no falar


Beijinho-de-amor


Beijinho-de-amor
Caminho debruçado sobre a areia
Na esp'rança de encontrar beijos-de-amor
E vejo com surpresa a praia cheia
De conchas e conchinhas - quanta cor!
Ao longe, a terna e doce melopeia
Do mar beijando a areia com dulçor
Ao som do suave canto de sereia
Quiça, no imenso mar, seja onde for.
E a voz do vento sopra-me baixinho
Um grito de silêncio... E o teu carinho
Me segue nessa imensa caminhada.
E só então, amor, me apercebi
Dos lábios teus e deles recebi
O beijo que minha alma procurava!
José Sepúlveda

Teia da vida


Preso na teia da vida
Sem guarida, sem sentido,
É na teia mal urdida
Que encontro um ponto de abrigo
(Sep)
(Foto de Júlio Aires)

Loucura


Lavam-se as mágoas com tempo,
As tristezas com ternura
Mas nada lava o momento
Em que o tempo é de loucura
Louco sou quando é mais bela
A vida que em mim nasceu
Pois pinto minha aguarela
Nesse cantinho que é meu
José Sepúlveda

Tristeza



Tristeza
Meu Deus, porque verter gotas de sangue
Ao ver dilacerado o coração?
Porque fenece assim meu corpo exangue
Perdido no palácio da ilusao?
Porque padecem corpo e mente em dor
Se nos caminhos tristes desta vida
Em qualquer parte e seja aonde for
Eu vivo uma esperança adormecida?
Lava meu corpo, ó Deus, rasga os tecidos
Deste esqueleto imundo, o sofrimento
Dum mau viver-morrer que paira em mim
E deixa me voltar aos tempos idos
E renovar em mim cada momento
E nunca, nunca mais sofrer assim!
José Sepulveda


Regresso de férias



Regresso de férias
Um calmo despertar neste domingo
Em que o Algarve deixo pra voltar
E neste meu regresso vou seguindo 
Para o conforto doce do meu lar
O sol desponta... Pois que seja lindo
E possa em segurança viajar
Num caminhar seguro, longo infindo
E em nossa casa a paz reencontrar
Ó, como é bom espairecer uns dias
E seja com precalços, alegrias,
Mudar um pouco o rumo desta vida
E um lenitivo assim vou encontrando
Ao viajar em paz de quando em quando
Tornando a nossa vida mais florida
Jose Sepúlveda

A Borboleta

A borboleta
No seu casulo escuro e tão fechado
A larvazita um dia apareceu
E foi permanecendo o tempo achado
Suficiente... E por ali cresceu.
E o tempo se passava e eis-senão-quando
No informe corpo algo aconteceu
E um par de asitas nasce com desmando
E a borboleta linda apareceu
E lentamente se desenvolvia
Num tempo sem ter tempo. Até que um dia
Do seu casulo escuro se fartou...
Deixou essa prisão e de repente
Abriu as suas asas e, imponente,
Lançou-se ao vento... e pelo céu voou !...
José Sepúlveda

Tunel

Tunel

No túnel do infinito 
Quando alço a minha voz
Ouve-se o eco de um grito
Lancinante, aflito, atroz!
(Sep)
Foto de Julio Aires