quinta-feira, 14 de abril de 2016

Primavera, aonde estás?


Primavera, onde estás?

Aonde estão a doce joaninha,
A borboleta, a abelha em frenesim,
O louva-a-deus ou mesmo a libelinha
Que ainda não os vejo no jardim?

Aonde o rouxinol, a andorinha,
O melro, o pintassilgo, a cotovia,
O seu cantar sereno na campina
E o alvor que nos desperta dia-a-dia?

Aonde estão o lírio e o jasmim,
A rosa,  malmequer, o alecrim,
A despertar o sonho e a quimera?

No horizonte, o frio matutino
E nuvens... Que os desígnios destino
Não deixam que desponte a primavera!


José Sepúlveda
Ilustração: Tela de Glória Costa

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Com requinte


Com Requinte!

Que bom foi ir ao Parque da Devesa
Jantar no Restaurante "Com Requinte"
E descobrir por entre a natureza 
Estrelas que merecem nota vinte.

A Estrela Inês abriu seu coração,
O Bruno, trouxe Paz e simpatia,
O Tony com seu ar bonacheirão
Mostrou sua paixão: Fotografia!

E se Magina Pedro nos falava
Durante toda a noite e madrugada
De histórias de labor e seu revez,

A Amy Dine, alegre, recatada
Sorria surpreendida e encantada
Com todos os miminhos da Inês!

José Sepúlveda

Afasta-te!


Afasta-te!
(Isaias 14)

Porque caíste, ó Estrela da manhã,
Deixando para trás o Lar de Amor?
"Eu subirei ao Céu e quando lá
Usurparei o trono do Senhor!"

Lançado foste nessa terra imunda
E só trouxeste dor confusão,
Na tua obra infame e tão fecunda
Apenas espalhaste maldição!

"Eu subirei acima do Altíssimo,
No templo Seu, no Seu Lugar Santíssimo,
Ireis pra me adorar com corpo e mente! "

-Afasta-te, Satã! Só meu Senhor
Me vai trazer a glória, a paz e o amor,
Que em mim irei guardar agora e sempre!

José Sepúlveda



Allontanati!
(Isaia 14)

Perché sei caduto, o Stella del mattino,
Lasciando alle spalle la casa dell'amore?
"Io salirò in cielo e quando là
Usurperò il trono del Signore! "

Gettato sei stato in questa terra immonda
E solo hai portato il dolore confusione,
Nella tua opera infame e così feconda
Solo spargesti maledizione!

"Io salirò all'Altissimo,
Nel tempio suo, nel Suo Luogo Santissimo,
Adorerai me con il corpo e la mente! "

-Allontanati, Satana! Solo al mio Signore
Porterò la gloria, la pace e l'amore,
Questo mi salverà ora e per sempre!

José Sepúlveda
Traduzione di Penna Massimo 11/04/2016

quarta-feira, 9 de março de 2016

FLAL - 2ª Edição - Festival de Literatura e Artes Literárias - Online de 01/04/16 até 28/05/16


Além, o Infinito

Oltre, l'infinito
.
Se sei in riva al mare, tenta di abbracciarlo
Con tutto il tuo amore e sorridendo
Afferra un ditale e cerca di svuotarlo
E vedi cosa mai riesci a ottenere!
Seduto lì sulla spiaggia, cerca di seguire
Le onde in questa melopea eterna,
E cerca nel vasto mare, infinito,
Conta grano per grano i granelli di sabbia ...
E quando il sole comincia a declinare
E si abbandona in questo immenso mare
Riempiendo lo spazio di gioia e colore,
Prova a contare nel cielo, nel bellissimo spazio
Miriadi di stelle che, brillando,
Nell'infinito mostrano il loro splendore!
.
José Sepúlveda
.
Traduzione di Massimo Penna 09/03/2016
Jose Sepulveda
11 h
Além, o Infinito
Se fores junto ao mar, tenta abraçá-lo
Com todo o teu carinho e a sorrir
Pega um dedal e tenta esvaziá-lo
E vê que nunca o hás-de conseguir!
Sentado ali na praia, vai seguindo
As ondas nessa eterna melopeia,
E tenta no areal imenso, infindo,
Contar-lhe grão a grão os grãos de areia...
E quando o sol começa a declinar
E se aconchega nesse imenso mar
Enchendo o espaço de alegria e cor,
Tenta contar no céu, no espaço lindo
Miríades de estrelas que, luzindo,
No infinito mostram seu esplendor!
José Sepúlveda

sexta-feira, 4 de março de 2016


Jesus chorou
Naquele tempo, lá na Galileia,
Andava S. José, o carpinteiro, 
A trabalhar com a sua alma cheia
De graça e de louvor o dia inteiro.
E sempre que descia p'rá cidade
Para se abastecer de pão, de vinho,
Um presentinho havia na verdade
Que S. José comprava p'ra o menino.
Um dia, do presente se esqueceu...
Jesus, ao vê lo, para si correu
Gritando: - O meu presente? - E o abraçou!
E o pai, chorando, disse com carinho:
- Perdoa, não o trouxe, meu filhinho!
E reza a lenda que Jesus chorou...
José Sepúlveda

No rastro da tradição popular mais bela, antiga e genuína nesse soneto, simples e, ao mesmo tempo muito sofisticado, o nosso amigo e poeta José Sepúlveda satisfaz o nosso desejo de ouvir narrar outras histórias sobre Jesus criança, além o pouco conhecimento escrito e diretamente derivado dos Evangelhos cânonicos.
.
Nel solco della più bella, antica e genuina tradizione popolare in questo sonetto, semplice e nel contempo sofisticato il nostro amico e poeta José Sepúlveda appaga il nostro desiderio di sentir raccontare altre storie su Gesù bambino, al di là delle scarse conoscenze che sono scritte e direttamente derivate dai Vangeli canonici.

Gesù pianse


A quel tempo, lì in Galilea
Andava San Giuseppe, il falegname,
A lavorare con la tua anima piena
Di grazia e di fatica tutto il giorno.


E ogni volta che scendeva in città
a fare scorta di pane, di vino,
Un piccolo regalo portava sempre
Chè San Giuseppe aveva comprato per il bambino.


Un giorno, si dimenticò del presente ...
Gesù, nel vederlo gli corse incontro
Gridando: - Il mio regalo? - E lo abbracciò!


E il padre, piangendo, disse con affetto:
- Perdonami, non l'ho portato, figliolo mio!
E la leggenda vuole che Gesù pianse ...


José Sepúlveda
Traduzione in italiano di Massimo Penna


Molto grato , il mio amico . Sinceramente
José Sepúlveda


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Aridez


Aridez

Perdi-me no mundo
Num mundo as avessas
Saí num segundo
Por poetas travessas

Ao ver me perdido
Tristonho e sem norte
Meu corpo ferido
Esvaiu-se na sorte

Segui pela estrada
Buscando saída
Uma alma penada
Perdida na vida

No meu rumo incerto
Silente, sózinho,
Do longe fiz perto
Trilhei meu o caminho

Errante, à deriva,
Que triste sentir
Minha alma ferida
Não quer desistir

E vi num rochedo
Tão frio e sem cor,
Surgir sem ter medo
A mais linda flor

Um grito, um apelo;
Sorri de contente
Um quadro tão belo
Surgiu-me na frente

Corri confiante;
Quem sabe, algum dia
Regresse num instante
A paz e a harmonia

José Sepúlveda

Perdido


Perdido
Perdi-me no caminho. De repente,
Qual pária, triste e só, eu fiz-me à estrada
Sózinho, como vão delinquente, 
Chorando, com minha alma amargurada.
Deixei meus sonhos. E eis que, indiferente,
Parti para uma longa caminhada...
Pra trás deixei amigos, muita gente
Que ao meu viver já nada acrescentava.
E vagueei por vales e florestas,
Dormindo em matagais, entre as giestas,
Embebedado em noites de luar.
E nessa solidão imensa e pura,
Bem longe dos caminhos da amargura,
No meu silêncio a paz fui encontrar!
José Sepúlveda

Diana Bar


Diana Bar

Diana Bar, recanto de poetas
Que ali procuram paz p’ra se inspirar.
E vão por prateleiras e gavetas 
Buscando textos para se inspirar.

E quando em horas mortas, mais discretas,
Nós vamos até ali p’ra ver o mar,
Alguns fazem erguer suas canetas
Como quem diz: - Estou a versejar!

Diana Bar. Há muito, no passado,
Eu via o Régio ali acompanhado,
A ver o mar, olhando, sem ter pressa.

E às vezes, ao passar, informalmente,
Paravamos ali à sua frente,
Trocávamos dois dedos de conversa.

José Sepúlveda

Abigail, um ano depois


José Sepúlveda

Grato ao poeta Pedro Lima pelo carinho

Lu Breda


Paula Fernandes


A voz do amor



A voz do amor
Se ouvires a voz do pássaro cantar
Quando nascer o sol, de manhãzinha,
Sou eu a soletrar o verbo amar
Que vive no meu peito, queridinha.
Se ouvires a voz do vento que ao soprar
Leva em suspiros uma voz tão pura
Aceita esse meu sopro que beijar
Te quer o peito cheio de candura
Se ouvires a voz do mar no seu lamento
Levando para ti o sentimento
Dessa saudade imensa que aqui vivo
Transforma-te num pássaro de lira
Voando para mim e em mim respira
E não esperes mais, fica comigo!
José Sepúlveda

Meu querubim


Meu querubim
Voavas com teu véu de seda pura
Naquela linda noite de luar
E para enaltecer tua candura 
Os anjos deleitavam-se a cantar.
E o teu corpo, esbelta criatura,
Desnudo ao vento, solto e a voar,
Sorria e me trazia essa ternura
Às ondas mais serenas do meu mar.
E enquanto o corpo teu transparecia
No céu de anil, tão cheio de harmonia,
Meu coração te canta e te sorri
.
E com imenso amor te transmitia
O seu fulgor, o amor que recebia
Do querubim amado que há em ti.
José Sepúlveda

Rosa


Quantas pétalas formosas
Caindo sobre o teu ser
Espinhos? Vê bem que as rosas
São perfume em teu viver!
José Sepulveda